Achei o texto abaixo bastante pertinente para nós seres super conectados.
Hodiernamente, vivencia-se uma crescente evolução tecnológica, especialmente no que tange a áreas relacionadas aos meios de comunicação, em especial a Internet, com uma maior e mais eficaz transmissão de informações entre pessoas nos mais longínquos locais do globo, formando uma nova forma de relação social. No Brasil, os primeiros passos desse novo comportamento datam de 1995, com a novela “Explode Coração” da Rede Globo, fascinando o país com a novidade do relacionamento por meio do computador. Na estória, a cigana Dara encontrava seu grande amor pela internet, e a maioria dos brasileiros ainda não conhecia a grande rede. Interessante perceber que quando surge uma nova tecnologia, novos aparelhos, as pessoas ficam encantadas.
Até bem pouco tempo, a fuga inconsciente para o mundo imaginário ficava apenas no terreno da fantasia, no mundo do sonho, único espaço onde se pode ser verdadeiramente livre, onde se pode ser infiel sem que ninguém descubra, onde a infidelidade fantasiosa jamais é confessada a alguém. Agora existe a Internet e o espaço virtual permite “estar junto” com outra pessoa, permite revelar sonhos e desejos, realizar fantasias, sem riscos aparentes. (GUIMARÃES, 2004)
Devido à facilidade de comunicação entre as pessoas via Internet, foi trazido para os estudos do Direito um instituto moderno: o adultério ou infidelidade virtual. Para Lago (2008), nesta forma de relacionamento fictício, em sua grande maioria, as pessoas participantes não se conhecem pessoalmente, ou/e talvez jamais se conheçam. Essa dificuldade de encontro das partes no universo virtual prima na confidencialidade da identidade de cada um, sendo permitido que a pessoa utilize um nome falso ou apelido na rede. Esse nome falso garante a possibilidade de manter uma relação com outra pessoa sem que nem mesmo saiba o nome de seu companheiro que está do outro lado da tela. As formas mais usuais para tanto são os “e-mails”, “chats de bate-papo”, “torpedos” e o “Orkut”.
A administradora de empresas carioca Janaína Porto checava os próprios e-mails no computador da família quando uma luzinha piscou avisando a chegada de uma nova mensagem. “Ele tinha esquecido o Messenger aberto. De repente, leio: ‘Oi lindo, ainda não foi para o escritório?’ Eu gelei”, conta. Atormentada pelo recado, buscou mais pistas no Orkut do marido e decidiu contratar um detetive virtual. Em uma semana, teve em suas mãos um relatório com todos os e-mails e mensagens de MSN, Orkut e ICQ trocados pelo marido. “Fiquei chocada. Além dela, ele falava com outras mulheres. Chamavam-se por apelidos, tinham conversas com sentido dúbio, passavam até três horas seguidas teclando. Pelo que deu pra perceber, ele nunca foi pra cama com nenhuma, mas havia uma troca de confidências, uma cumplicidade e uma intensidade que havia anos nem eu provava mais”, lamenta. O casamento de dez anos sofreu forte impacto.
O marido não comenta o assunto, mas Janaína não tem dúvidas: “Sim, considero que ele me traía”. (D. PINHEIRO, 2006)
O sexo virtual tornou-se um dos assuntos mais lucrativos do comércio eletrônico e uma das diversões prediletas dos usuários. No Brasil existem mais de cem serviços de bate-papo para entabular conversas eróticas. Essa grande oferta e o fácil acesso fazem com que os internautas se sintam tentados a não limitar suas consultas a esse tipo de material durante os momentos de lazer, se desligando da realidade e trocando mensagens picantes com terceiro desconhecido.
Portanto, trata-se de um meio que aproxima as pessoas sem que estas se mostrem verdadeiramente, visto que os internautas podem mentir em relação a tudo, inclusive se é homem ou mulher, jovem ou idoso, alto ou baixo, magro ou gordo, solteiro ou casado. Tudo depende do poder de convencimento através das palavras, da sua persuasão, consoante, é claro, com a vulnerabilidade ou carência do interlocutor. Começa com a troca de mensagens eletrônicas, o envolvimento vai crescendo, estabelece-se um vínculo íntimo. Tem todos os ingredientes de um caso extraconjugal, mas talvez o contato físico nem aconteça.
Nesse contexto, afirma Freitas (2007) que as relações virtuais possibilitam às pessoas contatos mais íntimos, porém não físicos, mas que causam ofensas às relações “tradicionais”. Com isso, deve-se aproximar da realidade a definição de fidelidade, como sugere Barbosa (2005, p. 82 apud Freitas, 2007): “dever de fidelidade é o dever de não praticar ou consentir que pratiquem consigo atos sexuais reais ou virtuais, com pessoa diversa do cônjuge”. No mesmo sentido, Pinheiro (2006) entende que a traição não é apenas o contato físico, mas também, e de forma tão ou mais insuportável para o traído, a abundância de detalhes que apontam para a intimidade emocional: o sentimento de cumplicidade, a excitação de esperar pelo chamado do outro, as confidências sobre segredos e fantasias, o prazer de ir para a cama pensando que amanhã tem mais.
São inúmeras as causas que motivam os relacionamentos virtuais. Sexo e internet parecem ter sido feitos um para o outro. O potencial explosivo dessa combinação viciante vem sendo estudado com muito interesse por profissionais da saúde. Nos Estados Unidos, na Universidade da Flórida, pesquisas realizadas no campo da Psicologia revelaram que a maioria dos internautas entrevistados considera o bate-papo virtual uma configuração interativa distinta da presencial, uma diversão, um jogo de sedução, sem possibilidades de que os relacionamentos passem do ambiente virtual para o real. A minoria dos internautas entrevistados, por sua vez, considera as interações virtuais um prolongamento da vida real e uma relação afetivo-sexual tendente ao encontro real, ou seja, uma configuração interativa real.
Em tempos recentes foi elaborado um estudo na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, com as pessoas que afirmam ter tido pelo menos uma vez, algum caso pela rede. Das pessoas que foram entrevistadas, cerca de 83% afirmam que não consideram como adultério a prática de sexo virtual com uma pessoa distinta do cônjuge. Contudo, 30% das pessoas deste mesmo grupo tiveram romances virtuais que acabaram se transmudando em romances normais. Esses dados demonstram que quase um terço dessas formas de relacionamento acabou por se transferir para o mundo real. (LAGO, 2008, p. 3)
Entretanto, outra pesquisa, também realizada nos Estados Unidos, entre mulheres norte-americanas, acima de 21 anos, chegou ao seguinte resultado:
Dentro do universo de 200 mulheres entrevistas, 58% consideraram que a prática do sexo pela Internet se configura em traição. Outras 21% tiveram opinião diferente e disseram que não é traição. Os 21% restantes não se posicionaram contra nem a favor. As mulheres que não consideraram o sexo virtual uma traição afirmaram que esta prática é benéfica para os relacionamentos reais. Muitas delas disseram fazer sexo virtual na presença dos parceiros, alegando que desta forma os dois aprendem mais sobre as fantasias um do outro. Por outro lado, uma rígida formação religiosa e fortes conceitos de monogamia foram constatados entre as mulheres que avaliaram o sexo virtual como traição. A prática do sexo virtual já atinge boa parcela das mulheres americanas, causando também o aumento do número de divórcios. Um site especializado disponibilizou na rede que a prática do sexo virtual tem crescido entre 10% e 40% a cada ano. (TATUI, 2007)
Recentemente, uma pesquisa divulgada na Itália mostra como os relacionamentos virtuais podem provocar estragos na vida real. “Realizado com 352 mulheres de internautas, o estudo revelou que mais da metade se sentem incomodadas quando o parceiro está diante da tela do computador” (PADUAN, 2000).
Um caso demonstrou como a rede pode criar constrangimentos que seriam inimagináveis até pouco tempo atrás. O episódio envolveu um casal de chineses que se conheceram pela internet. Ele se dizia desimpedido. Ela escreveu que necessitava urgentemente de um namorado. Depois de um tempo se correspondendo, os dois marcaram um encontro ao vivo. Foi um fiasco. Os dois pombinhos virtuais descobriram que eram marido e mulher na vida real. A briga foi tão violenta que a polícia teve de intervir. (PADUAN, 2000)
Prosseguindo na esfera da Psicologia, cumpre acrescentar:
Para a psicóloga Ana Pierrotti, que acumula 20 anos de carreira, a traição começa na mente das pessoas, ou seja, o encontro amoroso significa uma conseqüência de uma intenção. “Claro que isso vai depender dos valores de cada um, assim como a cultura. Há pessoas que não consideram um contato íntimo virtual uma trapaça e nem ao menos se sentem culpadas por isso”, reitera. De acordo com a psicóloga, a internet é apenas mais um canal para facilitar encontros amorosos e pode ser destrutiva para casais que vivem uma turbulência no relacionamento e buscam refúgio online. Mas há quem não considere um contato virtual mais íntimo uma traição. Esse é o caso de Pedro Cirelli, gerente de tecnologia de uma multinacional. “Gosto de ter o meu momento, a minha vida particular. Por isso, eu não acredito na palavra traição. Todos temos sonhos e desejos que às vezes ficam escondidos e, sozinhos, na frente do computador, somos o que somos e isso não é errado”. Para o jornalista Rafael Mioto, definir a traição é algo complicado. “
Existe um limite entre apenas conversar e trocar emoções mais fortes. Mas, considerar isso como infidelidade, vai depender do casal”. O piloto de Motocross Cauê Aguiar diz: “o simples fato de buscar uma relação na internet com uma parceira que não é a sua, é ser infiel. Muitos alegam que por ser virtual não deve ser considerado, mas, para mim, seja pelo computador, por cartas, ou pessoalmente, manter um relacionamento com outra pessoa é traição”. (FELTRIN, 2009)
Observa-se, assim, a presença de um relevante caráter subjetivo, extremamente variável em cada indivíduo, relativo às salas de bate-papo oferecidas pela Internet. Porém, não obstante a subjetividade em entender um romance sem sexo, uma pessoa que tenha passado pela infidelidade emocional, não tem dificuldade em identificá-la. “Ela tem um potencial tão devastador para afetar uma união quanto se um dos cônjuges tivesse sido pego na cama com outra pessoa”. (COSTA, 2006 apud D. PINHEIRO, 2006)
Ademais, o progresso tecnológico pode levar a um individualismo cada vez mais exacerbado, já que as relações pelo computador não têm implicações com a vida real. Neste tipo de relação, a tela e o teclado são o corpo do parceiro. Quem é contra este tipo de comportamento, já encontra aliados. É que a própria indústria tecnológica começa a produzir formas de vigilância para auxiliar aqueles que desconfiam estar sendo virtualmente traídos, por meio de mecanismos que controlam o tipo de site visitado e podem até gravar conversas. Programas específicos são instalados nas estações de qualquer computador por meio de um e-mail, passando a enviar informações de tudo o que se faz na máquina. Assim, o acesso ilimitado a contatos com parceiros virtuais é contrabalanceado pela possibilidade de que a parte que se sente enganada parta para a espionagem eletrônica.
O clima de suspeita e desconfiança também transforma qualquer casamento num inferno. “Ler mensagem, vigiar conversa, nada disso funciona. Não se consegue entrar na cabeça do outro. É lá que mora o desejo. E isso ninguém nunca vai conseguir localizar”, explica o psicanalista e colunista Alberto Goldin, autor do livro História de Amor e Sexo. (D. PINHEIRO, 2006)
Um dos grandes vilões do casamento ou da união estável é, sem dúvida, a rotina. Para Guimarães (2004), os problemas do dia-a-dia vão deteriorando a intimidade e a cumplicidade dos casais até o ponto em que desata o laço erótico que os uniu, ou seja, estão próximos fisicamente, mas, ao mesmo tempo, amargam uma solidão insuportável. A relação se torna tão frustrante que o envolvimento com terceiro, facilmente alcançado por meio do espaço virtual, decorre deste estado de carência afetiva. Portanto, o crescimento desse tipo de vínculo talvez tenha como uma de suas causas a busca pelo prazer de exercitar o poder de sedução e conquista, aspectos que comumente desaparecem com o casamento.
Tanto no Orkut como no MSN é possível manter a conversa em total privacidade. “Eu passava muito tempo em conversas com um amigo. E óbvio que havia um clima sério. Eu me sentia viva, sedutora, desejada. Nunca nos tocamos. Mas, quando você fica empolgada com a situação, quando sente que está fazendo algo de errado, acho que isso é o indicador de que você está traindo”, diz a administradora de empresas carioca Patrícia Perrett, 32 anos, que manteve esse vínculo diário paralelamente a um sólido relacionamento. (D. PINHEIRO, 2006)
Assim, pela Internet, a imagem idealizada do outro não enfrenta o desgaste da convivência e a pessoa pode fugir do cotidiano, bastando clicar um botão para interromper a comunicação. No entanto, este relacionamento pode manter-se virtual ou tender-se a uma aproximação física.
O caso mais representativo é o de uma professora de 45 anos, extremamente discreta e de educação refinada, casada há 25 anos com um profissional liberal de 50 anos, com dois filhos adolescentes. Comunicava-se pela Internet com pessoas de diversos países e apaixonou-se por um homem também casado e residente no exterior. Meses depois de iniciado o relacionamento virtual encontraram-se e perfectibilizou-se o adultério. Apesar do uso de senha, o marido ingressou no correio eletrônico e descobriu o relacionamento. O casal separou-se e hoje ela vive no exterior com uma terceira pessoa que também conheceu através da Internet. (GUIMARÃES, 2004)
Além disso, segundo Sirino (2002), há anos a mídia já veiculava a criação de “drives” genitais que reproduzem sistêmica e anatomicamente os órgãos genitais masculino e feminino, visando ao aprimoramento do “sexo virtual”. O referido aparelho possibilita ligar pessoas a qualquer distância e com visualização recíproca e sonoridade real, fazendo com que as relações sejam autênticas e quase carnais.
O acesso rápido, o conforto e privacidade característicos da rede produzem o ambiente ideal para os internautas liberarem suas fantasias. No entanto, há muita gente exagerando na dose, perdendo a conexão com a realidade, adquirindo um vício que leva a pessoa a procurar ajuda especializada. A vida dessas pessoas começa a ser seriamente afetada pelo hábito de acessar páginas pornográficas ou de perder horas dentro das salas de bate-papo, nas quais se satisfazem com categorias de sexo virtual.
Os internautas, por causa do hábito, abandonam a mulher, deixam de conviver com os filhos e colocam em risco o emprego. Conforme Paduan (2000), um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana apontou que 16% dos usuários pesquisados passam quatorze horas por semana acessando pornografia, ou seja, o sujeito passa a ter prazer somente diante da tela de um computador. Liberados, ainda que momentaneamente, dos freios que delimitam o eterno embate entre pulsões sexuais e civilização, os usuários aproveitam.
Um funcionário público casado e pai de dois filhos manteve durante muito tempo uma vida dupla que incluía visitas a saunas e banheiros públicos. Descobriu as salas de sexo virtual e desde então permanecia praticamente o dia inteiro conectado. “Eu deixava de almoçar para ficar no micro, e minha conta telefônica chegou a me custar o salário de um mês. (PADUAN, 2000)
Cumpre esclarecer, embora para alguns possa parecer um pouco óbvio, que o acesso a um site pornográfico ou de fotos de pessoas nuas, ou a mera compra de uma revista com semelhante conteúdo, não configuram quebra de dever do casamento, pois não há qualquer contato real ou virtual com terceira pessoa.
Posto isso, o tema não traz à tona um simples fetiche ou coisa do gênero, mas sim algo efetivamente real e com sérias repercussões jurídicas, mormente no campo do Direito de Família.
Fonte: http://analgesi.co.cc/html/t46482.html
Universidade de Uberaba – UNIUBE 2009
O Facebook não foi citado pois o estudo acima é de 2009, e o Facebook começou a cair nas graças da maioria dos internautas tupiniquins no inicio de desse mesmo ano
Para alguns é rotina , para outros diversão , paixão e problemas .
Segundo um estudo feito a traição cresce rápido na internet e vai crescer ainda mais nos próximos anos.
Paula Pereira. http://www.gordinhasassumidas.com.br/?p=3585 aqui também tem umacolocação interessante do assunto.

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