
O amor para mim é algo assim, essa tentativa de atingir o impossível.
Eu sei que é impossível, por isso o quero por isso o amo. Não me engano. Não sou submetida ao sofrimento, submeto-me a ele, sofrimento oriundo de abrir mão da coisa certa, confortável, palpável.
Eu desejo o incerto o inalcançável. Desejo abaixar a cabeça pro desejo do outro pois é ele quem decide. Se eu achasse que abrir mão não dói, eu não estaria dentro da realidade e sim romantizando demais a entrega. Entrega dói. E se eu sei de antemão que vai doer a entrega porque eu vou fazer? Por que aí esta o meu prazer. Sei que não é efeito colateral e sim que faz parte do processo. Mas coloco-me num pedestal de entrega poética. Elevo-me, me vejo como uma doce menina poética que se esquece de todo o resto, esquece de si ou só pensa em si e quer se entregar. Para ter quem decida por mim. Se irei ou não, se verei ou não, se farei ou não. Enfim ser assim, completamente de alguém.
Dói, mas admito que aprecio esse tipo de dor. E crio subterfúgios para viver essa submissão, me submeter a essa dor, por gostar dela…
E se não for algo assim, que me tire do sério, não aceito. Não gosto. Não quero.
Nem menos, nem mais, isso é o que quero. Desejo você.
Simplesmente por isso você causa-me isso. Hoje em dia queremos o lógico o controlado.
Mas isso não é possível dentro dos grandes sentimentos.
Quero um retorno à língua primitiva.
Quero você.
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