A Rosa, famosa pela sua beleza e perfume, é a flor simbólica mais utilizada no Ocidente. A sua história corresponde a uma parte da história da Humanidade, flor sucessivamente helênica e pagã, imperial, da guerra e da morte, feudal, católica, mística e até trabalhista. Ela merece ser cantada porque nunca houve flor com uma carreira mais triunfal! Em tudo o que profundamente interessa o Homem, o amor, a religião, as artes, a guerra, a lei, os movimentos sociais, a morte. A civilização inteira está repassada do seu perfume!
A Rosa e a Vida Introdução: Sendo tema por demais vasto, para ser tratado de forma exaustiva deverá implicar conhecimentos e pesquiza extensos em áreas do conhecimento em que de momento não me movimento á vontade, e em muitas das quais ignoro os conteúdos. Decidi no entanto aceitar o desafio que me foi proposto e tentando uma abordagem inicial e necessáriamente básica do tema, recorrendo a pesquisa que, no entanto não foi exaustiva. Será um texto incompleto e eventualmente com incorreções, que desejo corrigido e acrescentado pelos mais sabedores, e que se irá completando á medida do meu crescimento.
A Rosa, famosa pela sua beleza e perfume, é a flor simbólica mais utilizada no Ocidente. A sua história corresponde a uma parte da história da Humanidade, flor sucessivamente helénica e pagã, imperial, da guerra e da morte, feudal, católica, mística e até trabalhista. Ela merece ser cantada porque nunca houve flor com uma carreira mais triunfal! Em tudo o que profundamente interessa o Homem, o amor, a religião, as artes, a guerra, a lei, os movimentos sociais, a morte. A civilização inteira está repassada do seu perfume! Assim recordemos:
1º – Flor da Mitologia Segundo a Mitologia, a rosa nasceu nas praias de Citera, sob os pés de Vénus que emergia da espuma das ondas e pisava a terra – era Branca. Foi o sangue de Vénus que a tornou Vermelha, numa tarde em que a deusa, na Síria, correndo em socorro de Adónis ameaçado por Marte, se picou num espinho e o sangue coloriu as rosas que lhe eram consagradas. O caso, testemunhado por muitos deuses do Olimpo foi por eles contado a Hesíodo e outros poetas, que o espalharam, em versos, pelas ilhas da Jónia. A afeição de Vénus foi partilhada pelos deuses, que tanto amaram a rosa que criaram num vale da Frígia o Jardim de Midas, onde só cresciam roseiras, espargindo o seu aroma sobrenatural sobre toda a Antiguidade pagã.
2 º– Flor Helênica e Pagã Esta flor preferida e honrada pelos deuses foi também adorada pelos homens. Já no séculoVI a. c. Anacreonte exclamava: “ Que seria da Humanidade sem a rosa ? “ A rosa aparece no mundo grego com Homero (século VI a. c.) Este apresenta-a não como uma flor de beleza mas de utilidade – planta medicinal, donde se extraía o óleo com que Afrodite, na Ilíada unta o corpo de Heitor. Também com Píndaro e no “Hino a Demeter”(deusa da Terra), a rosa é aclamada. O culto na Grécia e na Itália punha o seu luxo na profusão de rosas. Rosas em torno de imagens, coroando áugures e pontífices. Rosas sobre o dorso e nas pontas das rezes votivas. Rosas em festões, de coluna a coluna nas festas da antiga Roma. Roma chegou a ter o vício das rosas. O mundo antigo comia e convivia entre rosas: rosas tapetando o chão, rosas alastrando na mesa (ainda hoje costume de requinte), pétalas flutuando no vinho, doce de rosas e outros alimentos confeccionados com rosas, chuvas de rosas ao som das liras. Nas calendas de Maio, na festa chamada Rosália, dedicada a Venus, todas as cortesãs de Roma iam em procissão levar à grande Deusa, sua padroeira, as primeiras rosas do ano. Era a proclamação sacramental da Primavera e do Amor.
3º – Flor Imperial e do Amor Flor do Senado e do povo romano foi acarinhada pelos imperadores e pontífices. A imortalidade dos deuses associada à rosa foi gradualmente transferida para o Homem, as grinaldas e ramos de rosas que se davam só aos imortais, começaram a ser ofertadas em especial ás mulheres, pelo que nelas havia de divino. A rosa tornou-se assim em Roma a flor oficial do Amor, substituindo o lótus e o narciso, respectivamente flores do amor no Egipto e na Grécia. É símbolo do amor e mais ainda do Dom de Amar, do amor puro… Assim Roma na sua poesia e na sua vida delirava pelas rosas. Flor de glória e flor de piedade, a rosa foi enaltecida na literatura. Os poetas foram levados a comparar a rosa, rainha de graça da natureza, com a mulher, rainha de graça também, e também flor da humanidade. Mais tarde Dante compara o amor paradisíaco ao centro da rosa : “ao centro de ouro da rosa eterna, que se dilata e vai de grau em grau, e que exala um perfume de louvor ao sol primaveril”. 
5º – Flor Feudal Com a queda do império romano e a invasão dos bárbaros, a devastação por eles provocada torna-se em ameaça real à existência material da rosa. Também flor considerada suspeita nos primórdios do Cristianismo pela simbologia mitológica e pagã a ela associada, a rosa deve a sua sobrevivência durante os três séculos das invasões bárbaras, à obscuridade. Sobrevive como flor silvestre nos campos devastados, e encontra um último refúgio (qual ironia do destino) escondida na clausura dos mosteiros, misturada com as ervas aromáticas e medicinais. Pelos séculos IX e X, terminada a última invasão, tende-se à estabilidade. O interesse pela flor colorida e de aroma intenso é retomado pelos chefes dos novos burgos. Foram os merovíngios, na sua admiração pela cultura romana, que primeiramente cultivaram o jardim feudal. Carlos Magno entra em Roma e aí recebe a revelação das artes, das magnificências e delicadezas da vida, e não fica alheio à atracção das rosas: decreta a “cultura da rosa”. A rosa torna-se assim a flor da nobreza, como será posteriormente a flor da realeza. A rosa conquista os Bárbaros e recomeça a sua carreira gloriosa, voltando ao quotidiano dos castelos. Renascem os roseirais por onde passam todos os amores da Idade Média. Rosas de adorno, rosas nas mesas, rosas nas festas e torneios…. Ela enfeita e perfuma toda a vida gótica. Nos séculos XII e XIII, apogeu da arquitetura gótica, esta utiliza de forma repetida e sofisticada a “Rosácea” – o círculo em flor! Rosa estilizada a rosácea é constituída por arcos de circunferência, inscritos num círculo. São disso exemplos a Notre Dame em Paris, e as catedrais de Chartres, Reims e Amiens entre outras, assim como a arte Manuelina em Portugal. A rosa deixa a sua marca também na vida política e forense. “Até ao século XVI é mantido o costume, chamado” Baillée des Roses”: os duques e pares de frança ofertavam ao parlamento em Paris, no 1º de Maio, um grande ramo de rosas numa salva de prata.
6º – Flor do Catolicismo Excluída da Igreja por Clemente e Tertuliano, reentra no ritual católico pela mão de Santo Ambrósio, no seu comentário aos salmos. Nele assegura ser a rosa de cor vermelha por ter caído sobre ela o próprio sangue do Senhor. S. Bernardo vai mais longe e sustenta que as rosas são as chagas de Jesus: “ Olhai! Tantas são as chagas do divino corpo, tantas são as rosas….” A rosa é assim, na iconografia cristã, quer o cálice que recolhe o sangue de cristo, quer a transfiguração das gotas de sangue, quer o símbolo das chagas de Cristo. No princípio flor de Jesus, pouco a pouco os devotos vão separando a rosa de Jesus para a consagrar a Maria. Desde o século XIV, a rosa é o apanágio essencial da rainha dos anjos, a Rosa Mística, símbolo da Virgem:-A Virgem nasce do cálice da rosa e dela recebe todas as virtudes. Desde 1738 a imagem de Maria é venerada como Rosa Mística, no Santuário de Santa Maria de Rosenberg na Alemanha. No quadro estão pintadas três rosas: uma branca (imaculada e símbolo de sabedoria), uma vermelha (mãe de Deus e das dores) e uma amarela(símbolo da esposa do Espírito Santo). E desta forma permanece no ritual cristão até aos nossos dias. Não há festa religiosa onde ela não marque sua presença, em particular no culto da Virgem Maria, qualquer que seja o nome que países e povoações dos vários continentes atribuam a Nossa Senhora sua padroeira. E do culto á Virgem emerge o rosário ou terço, instrumento utilizado pelos seus devotos. No latim rosarius significa trabalho que coleciona o melhor do ensino, simbolizando assim a antologia do espiritualismo. A Nossa Senhora do Rosário é a senhora das rosas, porque estas flores são um símbolo de gratidão para com a Mãe de Deus. O Domingo da Rosa é o 4º domingo da quaresma em desde Leão IX em 1064 ,o papa oferece uma rosa dourada a uma personalidade, em geral uma mulher.
7º – Flor Mística e Esotérica Talvez pela associação com a Virgem, mãe de Jesus, ela, a rosa simboliza o que de belo, secreto e mais divino a mulher tem: a feminilidade, a beleza, a bondade, o amor, o mistério da maternidade e dádiva de vida. Tendendo a restaurar o princípio do feminino a lenda da Noiva Perdida de Jesus é admitida por alguns como verdadeira. É representada por Maria Madalena, também chamada a Rosa, no Cântico dos Cânticos, que diz: Envolta nas brumas do Tempo, Espera sozinha no jardim, Velada, o nome desprezado, a Rosa abandonada. Oposto perdido de Logos, a Palavra, Filho do Pai, Razão e justeza, O eterno Ele. Eros esquecida, Apaixonada, A eterna Ela, Deixada prostrada no chão. Mas agora, finalmente, ele procura-a. Chama por ela. Ele sabe que o seu nome é Rosa........ A Rosa Rugosa é o símbolo de ordens secretas, sendo esta uma das espécies mais antigas da flor. Tinha cinco pétalas e uma simetria pentagonal, tal como a estrela guia de Vénus, o que lhe dá uma forte ligação iconográfica com a feminilidade. Rosas são ofertadas pelo enamorado à sua amada, pelo marido á esposa, pelo filho á mãe e avó. Continua no século XXI a participar no ritual do casamento onde não faltam as pétalas de rosa atiradas aos noivos, simbolizando o amor eterno. Enfim, homenagem ao feminino em toda sua plenitude, homenagem do Homem á Mulher.
Desde tempos antigos e na velha Roma ela simbolizava o segredo, simbólica que se manteve ao longo dos séculos até nossos dias. Os romanos penduravam uma rosa sobre o local onde se reuniam para indicar que essa reunião era confidencial. Os que nela participavam sabiam que o que quer que fosse dito sob a rosa tinha de permanecer secreto. Este costume não se mantém até hoje no mundo profano, pois optou-se, quando precisamos de privacidade, pela fórmula anglo-saxônica pragmática mas nada graciosa: “do not distub”. Na Maçonaria, no rito escocês antigo e aceite, um dos símbolos da iniciação do aprendiz é uma rosa. Simboliza o silêncio e segredo que o aprendiz deve manter. Deverá dar essa rosa ao ser amado para com ele partilhar e manter esse segredo. Da História de Portugal recordamos o Milagre das Rosas: simbolismo de segredo e de dádiva contido no encontro da rainha Santa Isabel com D.Dinis, quando os pães que leva no seu regaço se transformam em rosas. À rosa é também atribuída estreita relação com o conceito de direção e orientação – a “Rosa dos Ventos” – fundamental aos marinheiros na navegação. E aqui tocamos de novo na História de Portugal e dos Descobrimentos. Também Linhas da rosa são o termo místico para meridiano solar, linhas de longitude. Este termo também tem sido utilizado como referência à alegada decência de Jesus e Maria Madalena. Também o Zodíaco e seus signos têm origem iconográfica na rosa como símbolo de orientação: a esfera celeste é dividida em doze ângulos de 30 graus, esfera que corresponde ao movimento aparente do sol e ao movimento da lua e outros planetas. Cada ângulo tem o nome da constelação que lhe corresponde. A Rosa é assim feminilidade, secretismo, orientação, estrela guia que conduzia à verdade secreta.Aparece também muitas vezes como símbolo de um renascimento místico, pela sua relação com o sangue derramado. Para os Rosa-Cruzes, os símbolos usados são a cruz e a rosa: uma rosa vermelha fixada no centro de uma cruz também vermelha, porque estava salpicada pelo sangue místico e divino de Cristo – a sabedoria mantida secreta. A rosa é símbolo da fragilidade humana, representa a eternidade da alma e significa também segredo, defendido pelos seus guardiões, os espinhos, porque se fecha sobre o coração abrindo-se no momento de morrer. Em resumo: Segredo ciosamente guardado, perfeição e morte. A cruz simboliza a sabedoria e conhecimento perfeitos. Outro dos símbolos rosacrucianos é representado pela cruz branca coroada com as rosas vermelhas e no centro a rosa cândida: uma rosa branca, símbolo de pureza. O emblema rosacruciano hermético e alquímico é constituído pela cruz com uma rosa vermelha ao centro com 22 pétalas, representando as 22 letras do alfabeto hebreu, dispostas em três anéis: o externo com 12 pétalas correspondendo aos signos do zodíaco, o 2º anel com 7 pétalas, sendo os 7 planetas e as 7 letras do alfabeto cabalístico, e no anel central 3 pétalas representando o ar, o fogo e a água. Para a Grande Obra dos Alquimistas a rosa é o emblema da perfeição. Tem sete pétalas, cada uma dessas pétalas evocando um metal ou uma operação da obra. A rosa branca foi ligada á pedra em branco, objetivo da pequena obra, e a rosa vermelha associada à pedra ao rubro, objetivo da grande obra.
8º – Flor de Movimentos Sociais Desde 1860 na Europa e nos Estados Unidos desenvolveram-se os sindicatos, por oposição à industrialização. A rosa vermelha tranforma-se no símbolo do povo trabalhador, que celebra a sua grande festa no 1º de Maio, desde 1890. Torna-se assim a flor do socialismo desde o início do século XX. A simbologia nela contida – igualdade e liberdade – é adotada oficial e ritualmente por partidos políticos socialistas : nos primórdios do século pelo partido socialista francês e nos anos oitenta pelo partido socialista português.
Por último: – “ A Cor da Rosa” Nos dias de hoje a cor ” cor de rosa” ainda é atributo do feminino, graça e gentileza. O branco e o vermelho, os dois elementos componentes do “cor de rosa”, são as cores que têm valor simbólico em todos os planos, do profano ao sagrado, na diferença atribuída ás oferendas de rosas brancas e de rosas vermelhas, assim como na diferença entre as noções de paixão e de pureza e entre as de amor transcendente e de sabedoria divina.
Termino citando Eça de Queiroz : ….Flor de maravilha, ela embeleza o amor, ela consola a morte. Com ela se coroam os que triunfam na guerra e os que triunfam na arte. Os césares declaram-na flor do Estado e os Papas flor da Igreja. Toda a festa humana é incompleta sem a sua fragrância. Nenhum gênio passou sobre a Terra, desde Homero a Hugo, sem a cantar com reverência. Os prodígios e os milagres só verdadeiramente se operam por ela, desde os de Apolo até os de S. Francisco de Assis. Cada deus que se apodera do Céu, a reclama logo, lhe comunica a sua divindade, e através dela se humaniza. E do Oriente a Ocidente, todas as civilizações, umas após as outras, proclamam e transmitem o grande culto da rosa ! Flor de maravilha!....(“ As rosas “ – Notas Contemporâneas, 1893 ). Margarida Pereira
Eu a rosa e as coincidências Porque decidi falar das rosas hoje? E que mulher não gosta de rosa? Eu não sou exceção. Meu nome tem Rosa. Tenho uma amiga chamada Rosa, Tive uma grande noite com pétalas de rosas. Tenho um querido que me considera sua rosa Um amigo me trata por Rosa Meu filho ontem a noite colocou em meu cabelo uma rosa amarela Estou lendo Clarice e essa noite ela falou sobre rosas. Enfim que mulher não se sente a única quando ganha um buque de rosas... E viva as belas e delicadas rosas com todos os seus espinhos.
Levei! Esta muito bem feito,parabéns!
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