quarta-feira, 24 de março de 2021

Buscando Explicações

            O Caminho da Mão Esquerda -Veículo de iluminação em uma era de escuridão




Contudo, as causas essencialmente espirituais

que formam as condições desfavoráveis que dominam a nossa época têm

sido universalmente reconhecidas por aqueles que se livraram das amarras

da mentalidade egocêntrica para experimentar padrões mais profundos do

Ser que reside sob os véus da ilusão.

Na metafísica hindu, sabe-se que vivemos agora na alvorada do Kali Yuga,

termo que pode ser traduzido como “Éon da Escuridão”, “Idade das

Trevas” ou, ainda, “Era do Infortúnio”. De acordo com a tradição védica

dos yugas, o desenvolvimento da humanidade transita frequentemente entre

ascensões e quedas através de um ciclo de quatro eras eternamente

recorrentes, começando com Krita, ou Satya Yuga, a Idade de Ouro da

Verdade. Tendo passado as eras subsequentes, Treta e Dvapara Yugas,

períodos de deterioração espiritual progressiva, saindo do éon primevo de

pureza e perfeição, nós entramos agora no estágio final da dissolução,

encarnado no Kali Yuga. Quando o Kali Yuga chegar ao seu fim, o ciclo

cósmico irá recomeçar com uma nova Era de Ouro reavivada, surgindo das

cinzas de nossa atual Idade das Trevas. Esses ciclos também correspondem

aos estados internos de transformação do ser do Iniciado em seu caminho

para a libertação no qual um “Kali Yuga da alma” deve ser vencido antes

que a Era de Ouro do iniciado seja revelada. Até então, contudo, os

sintomas tradicionalmente descritos do Kali Yuga, que podemos observar

ao nosso redor diariamente (falência espiritual, hedonismo estúpido,

colapso de toda estrutura social, ganância e materialismo, egoísmo

irrestrito, aflições e enfermidades de todo tipo), irão prevalecer. (Ideias de

Idades do Mundo terminais são representadas no Ragnarok nórdico, no

Quinto Sol asteca, no Apocalipse cristão e no gnóstico Éon de Tífon).

É da natureza do Kali Yuga deter a maioria dos seres humanos de sua

liberação espiritual devido à gravidade da inércia, apatia e preguiça

(conhecidos como tapas, em sânscrito), que subjuga esta era. Apesar desse

prognóstico aparentemente sombrio, há uma saída desse infortúnio para

aqueles que têm vontade e força para despertar da letargia excessiva, dentro

e fora deles mesmos, para agir. Mesmo na Era da Escuridão, alguns têm

uma disposição heroica para romper com as ilusões em que estão atados no

espaço-tempo e presos em seu ego em condições específicas do zeitgeist3

ao seu redor. Esses heroicos “nadadores” que nadam contra a corrente

podem despertar para uma consciência expandida, atemporal e una, não

dependendo mais do ciclo dos yugas. Dizem que um ser assim é chamado

de jivanmurta, ou liberado nesta vida, aquele que transcendeu a perspectiva

dualista, temporal e medíocre da vida e os medos do ego para atingir o

êxtase do estado de consciência transpessoal e divino, antes obscurecido

pelo ruído branco da absorção individual.


Zeena Schreck

Tradução: Adriano Camargo Monteiro; Aristerá

Para Revista Sitra Ahra

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