Nossas identidades são imagens justapostas pela necessidade.
As nossas vidas são uma luta para nos adaptarmos às circunstâncias à nossa volta.
Nenhuma das escolhas que fazemos para criar a identidade/ imagem que queremos passar para o mundo se baseiam em fatos que estão totalmente sob o domínio ou controle de nossas decisões. Nós não somos essa imagem que passamos para o mundo, seja lá qual seja a imagem que cada um de nós procura apresentar para o mundo. A nossa verdadeira identidade está por detrás daquilo que nós tentamos esconder dos outros. Não é aquilo que tentamos esconder, mas é através desta pista, e somente através dela, que podemos identificar aquele impulso que realmente nos caracteriza, que nos dá vida e que é a vontade por detrás de nossas decisões. Nós somos aquilo que procuramos esconder, não aquilo que mostramos.
Você é na medida em que reconhece esta necessidade e não permite que ela seja adaptada, adequada ao mundo que a circunda. A todo o momento somos sugestionados e tentados a abrir mão desta necessidade básica e criarmos uma outra identidade, baseada em necessidades socialmente aceitas. Você deixa de ser na medida em que não é mais capaz de perceber que esconde de si mesmo seus principais instintos e passa a agir em função da manutenção desta imagem falsamente adaptada e acostumada a responder aos estímulos externos.
A única maneira de provar que você realmente é, é observar atentamente, antes de tomar uma decisão em qualquer situação, e procurar reconhecer quais são as reais necessidades (não existem intenções verdadeiras) e seus instintos motivadores, e compreender que estes instintos e necessidades não serão nunca satisfeitos por algum meio externo. Porque qualquer movimento que se der em direção à realização, ou seja, à satisfação desta necessidade, será um passo em falso dado em direção à solidificação da imagem falseada, pois que nenhum instinto pode ser satisfeito fora dos padrões sociais. A única realização possível para o homem, para sua problemática existência no meio social, é o autoconhecimento. Tudo o mais é uma maneira de deixar de ser e tornar-se uma fraude.
Toda a nossa vida gira em torno de uma mentira que contamos para nós mesmos a fim de nos tornarmos capazes de responder àquilo que acreditamos que a sociedade quer de nós. Nós criamos todo um conjunto de mentiras para sustentarmos as nossas vidas, e não podemos permitir que nossos filhos descubram a verdade.
Evidentemente não existe nada como “ a sociedade espera isso de você”, porque a sociedade não espera nada de um indivíduo, ela não está nem ligando para um indivíduo, a sociedade tampouco se trata de um conjunto de homens vivendo entre si em comunidade. A sociedade é na verdade o conjunto de idéias que forma o nosso pensamento, e que está dentro de cada indivíduo em si, e não fora dele. Vários indivíduos, evidentemente, não podem pensar da mesma forma. Podem viver da mesma maneira se o conjunto de idéias que circula à sua volta for semelhante, mas sem dúvida não responderão a estas idéias de maneira idêntica. Esse conjunto de reações é a imagem que o sujeito emana para a sociedade, ou seja , para o conjunto de idéias guardado dentro de cada sujeito que formam estas comunidade, cada qual refletindo o seu modo e configurando o conjunto de modos socialmente aceitos. Tudo aquilo que estiver fora deste conjunto não será admitido.
Rishi
Fonte amoralpoetica.blogspot

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