Permita-te, ao menos uma vez,
abrir a porta emperrada de ti mesmo
e saia para contemplar-te,
...sem medo
...sem culpa
...sem hora.
...Olhe carinhosamente para ti.
...Observe atentamente
...tua estrada
...tua história
...teus amores
...teus sonhos
...teus medos
...tua insegurança
Permita-se as manhãs,
ao sol de tua possível primavera.
Exponha-te à carícia
da leve bruma a brincar
com teus cabelos.
Jogue fora, por um instante,
...o fardo de tuas angústias
...o medo de teu amanhã
...o peso de tua ansiedade.
Tente, ao menos uma vez,
amar a ti mesmo
mais do que amas lá fora,
mais do que supõe amarem-te.
...Enamora-te, ainda que na eternidade
deste momento breve.
...Enamora-te em paz.
...Enamora-te sem pressa.
...Enamora-te sem culpas.
...Enamora-te.
Abel De Jesus Requião
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