O SONHO DE ALMA WELT
BY GUILHERME DE FARIA
Ouça bem que eu não sei de nós dois. Sei um tanto de mim, fragmentos de um saber quase nunca inteligente, mas que me estabiliza até o próximo vendaval. Sei dos filmes, dos atores, de alguns caminhos que aprendi e não esqueci para poder voltar. Sei das vozes, das canções e de alguns tons. Sei também que não somos um para o outro. Por uma questão de praticidade. Fosse eu um homem mais preguiçoso e poderia te soprar com fôlego esse balão de gás destinado ao estouro da primeira agulha em riste.
Lá embaixo, ao abrir das portas, eu vou sair sorrindo convicto e sem satisfação porque tive a oportunidade de te dizer da minha confusão simples que só quer te excluir da condição de companheiro amigo amante, esse século tão sem nome. Sei que eu te amei da minha forma torta e sei também que você me questionou da sua maneira reta. Não sei se em algum momento você correspondeu e afirmar seria raso, mas durante algum tempo, eu acreditei na tua solidão e no teu desejo de romper com urgência o eco ensurdecedor das correntes. Nem tão cético assim. Nem tão crédulo assim. Mas passei boa parte das noites, pensando no sim. Ensaiei boa parte das noites histórias de um mais um.
Até que você ventou e eu confundi.
Até que você choveu e confundiu.
Até que você soprou e eu apaguei.
Por Edígio La Pasta Jr

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