domingo, 3 de abril de 2011

Sobre meu encerramento das contas nas redes sociais.

O novo homem é avaliado pelo seu status social, por seu grau de "conexão." 
E o mundo outra vez se divide, entre os mais e os menos "conectados". 
Não seria mesmo a hora de começarmos a pensar a respeito?
Neila Tavares


"Eu me impressiono porque as pessoas estão com muito tempo livre". Disse Ronaldo Lemos no Manhattan Connection se referindo ao tempo gasto pelos usuários de Facebook e Twitter.


Pessoalmente não acredito que seja mais tempo livre e sim uma nova opção de como gastar nosso precioso ou ocioso tempo. Ninguém faz mágica, não temos como duplicar nosso tempo. Então para ficar navegando mais em nossas viagens cibernéticas deixamos de fazer outras coisas.


Penso que, funcionários que trabalham conectados com as redes não têm o mesmo rendimento, pois a rede não toma só seu tempo, mas seu pensamento. Com certeza as pessoas que trabalham conectadas não desempenham com a mesma excelência seu trabalho, mas é claro, existem exceções. 


Vejo até por experiência própria que as redes interferem diretamente na vida real do usuário. 
Você se afeta de forma extremamente real com o que acontece no virtual. Por sentimentos reais que nascem nos campos virtuais tais como: os românticos, ideológicos, filosóficos, de ego, vaidade, ciúmes, despeito, estrelismo e muito mais. Tudo isso afeta e muito, mesmo quando por algumas míseras horinhas você se desconecta. Pois seu pensamento fica conectado. Para os metafísicos ouso dizer que deixamos a alma conectada. Em casos extremos, o que saí são os zumbis para suas tarefas diárias e pior para a família.


Outra coisa que percebi como internauta viciada que sou; é que nos tornamos volúveis, quase traidores em aspectos variados. Como disse André Forastieri: A internet é assim mesmo: estimula a infidelidade. Se você está na home do portal, merece atenção. Se não, há outros textos pra ler, outras fotos para ver, outros comentários para fazer, outros amores à espera. E isso também nos rouba tempo. Entramos para ficar dez minutos, ficamos no mínimo 30, entramos para verificar uma coisa, verificamos cinco. Isso tudo sendo extremamente boazinha. 


Pois é assim mesmo e isso acaba gerando um estresse grande. 
Senti um alivio significativo, depois que exclui meu Orkut e Facebook (que foi o que mais me causou transtorno). No inicio os tinha feito para ficar conectada com a família. No final das contas com quem menos me comunicava era com a família. Hoje estou bem mais tranqüila. Mas entendam eu não estou falando só de mim só baseada na minha “umbigocentria” ou o que imagino, falo sim, da minha experiência própria, mas também baseada em muitos artigos a respeito que andei lendo e até em cima de mensagens que trocava em particular com algumas pessoas e nessas mensagens pude sentir o quanto elas como eu, estavam perturbadas por motivos variados ali dentro. O primeiro passo para se curar de algo é aceitar que você esta se tornando impotente perante aquilo. E foi o que fiz, saí, pois aquilo estava me fazendo muito mal. 


Cansei dos poucos debates em cima apenas de manchetes, depois de um tempo não se le mais matérias completas, apenas manchetes. Como disse Ronaldo Lemos estamos nos transformando em uma sociedade com idéias de apenas 140 caracteres. E quando os debates ficavam acirrados e os comentários surgiam, eram ofensivos. 
Geralmente por causa de pessoas e não idéias. Uma atiração de dardos carregados de maldade. Isso definitivamente não vira.
  “De degrau a degrau, vamos descendo até o grunhido”. Como disse Saramago. 


Depois de muito pensar em tudo isso resolvi encerrar minhas contas no Orkut, Facebook, MySpace, não sobrou uma. Não vou negar que durante muito tempo aprendi muita coisa legal com muitas pessoas por lá. 
Conheci umas poucas pessoas GENTE! 
Mas muitas dessas pessoas se afastaram, sumiram ou sucumbiram a estupidez. 
Muitas se calaram. 
E umas POUCAS que eu GOSTO ainda estão lá. 
E eu, pra variar fuiii.

 Mas também pode ser que falei um monte de merda e a verdade é que sou uma chata que não suporto a convivência em sociedade nem no virtual. 
Pois as certezas me faltam.

 E tenho dito.





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