As tempestades já se foram, os furacões nem passaram.
Disseram que passou um vendaval em algum lugar, por aqui só senti uma leve brisa.
Esta tudo muito morno.
Esta tudo muito certo.
Sem dramas, sem chamas.
Preciso ficar inventando paixões, encenando amores, pois que seja.
Alguma emoção tem que haver.
Um nome duplo. Um choro convulsivo. Uma paixão de rasgar o coração, coração não se rasga, nem as cartas se rasgam mais, não há mais cartas, apenas emails.
Não se pode mais gritar.
Temos que respeitar a vizinhança, respeitar a criança.
Então falo sozinha, choro sozinha, amo sozinha, mas não grito.
Desconfio do amor, desconfio de pessoas, desconfio de sorrisos, desconfio do amante que trai duas vezes.
Restam-me os amores platônicos, incertezas seguras, angustias passageiras, dramas mexicanos.
Os “EU TE AMO PARA SEMPRE”, não perduram seis meses.
Às vezes acabam antes do dia amanhecer.
Eu não sei.
Te quero, mas se você me quiser acaba o desafio, e temo pelo quanto você me quer, tenho medo do querer exagerado, afinal já me acostumei com brisas.
Do mais não sou sua, não sou séria, não sou sóbria.
Sou embriagues, confusão e desarrumação.
Sou metade e me dou um quarto, quando amo.
Mas mal consigo me mar.
Meu amores são mentiras, são desejos, gula, como o que eu sinto pela comida e pela bebida, após saciada, tudo vira merda.
Prometo que quando a fome voltar te procuro.
Pois assim é, sem dramas...

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