quarta-feira, 9 de março de 2011

A mulher ideal e a real

“A mulher ideal não existe. O que existe é a mulher real”. 
 Repito este mantra pra mim mesmo desde a primeira vez em que gostei de alguém e quebrei cara. Não culpo a moça. Era difícil gostar de mim. Eu era cabeludo, chato, fedido e mau humorado. Aos 17 anos, eu não tava nem aí pra nada. Não que, aos 27, eu tenha mudado muito. Porque não mudei. Talvez eu seja (um pouco) menos fedido, (um pouco) mais bem humorado e (um pouco) mais legal. Continuo cabeludo, graças a Deus. A mulher ideal é uma miragem. A cenourinha na frente do cavalo. Quanto mais eu achava que ela estava perto, mais ela desaparecia. A mulher ideal tinha muitos nomes. Podia ser Natália, Daniela, Tatiana, não importa. 
Na maioria das vezes, as mulheres ideais são ególatras. Precisam de atenção, não importa de quem. Querem ser o centro das atenções para se distraírem de uma família ou um namorado escroto. A mulher ideal só se apaixona por você se você se mostrar tão ideal quanto. 
Que melhor, que você cumpra o script. Você deve fazer exatamente o que ela espera de você. Ser compreensivo, gentil, educado, arrumado, fiel, paciente, altruísta, responsável, adulto. A lista não tem fim. Na boa. Nem Jesus Cristo, Buda, Maomé, Vishnu e Moisés conseguiriam. Mesmo se dividissem as tarefas. Se a humanidade fosse perfeita assim, não haveria sexo. 
Mesmo que você passe nesta tarefa hercúlea, quando você finalmente conquista a mulher ideal começam os problemas. Ela nunca vai ser mais tolerante, engraçada e normal do que parecia nos seus devaneios românticos. Começam os acessos de fúria, as crises e as mancadas. 
Não importa o quanto você tente cumprir o script. Primeiro, porque perfeição não existe. Segundo, porque, quando existe enjôa. As mulheres reais, por outro lado, são o dia a dia. O corriqueiro, o passeio no parque de bicicleta, o sorvete na praça. Elas estão do seu lado e você nem percebe. 
Às vezes, quando percebe, é tarde demais, ou você está na hora e no lugar errado. Não é difícil conquistar a mulher real. Basta um sorriso. Você sabe que ganhou a mulher real quando ela abre aquele sorrisão de orelha a orelha com uma piada qualquer sobre um assunto corriqueiro. 
O problema é que a mulher real deixa os defeitos à mostra: a insegurança, a baixa auto-estima, a indecisão e o medo. Parece que a mulher real não vale a pena. Mas vale. A mulher ideal quer casa, filhos, um carro, um marido que pague imposto de renda e vote no PSDB. 
Não importa qual marido. 
A mulher real acha que não leva jeito pra ser mãe e acha sempre complicado encontrar um cara que não seja um zé mané, quanto mais casar. 
A mulher ideal é Apolo. 
A real é Dionísio. 
A mulher ideal é destra. 
A real é canhota. 
A mulher ideal é profissional. 
A real é amadora. 
A mulher ideal é verão. 
A real é o inverno. 
A mulher ideal é casamento. 
A real é o divórcio. 
A mulher ideal é a tática certa. 
A real é a tática errada. 
Ideal é a paixão. 
Real é o amor. 
Raatz

Fonte:http://anivelde.org/blogdoraatz

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