Tenho uma solidão tão concorrida tão cheia de nostalgias e de rostos teus de adeuses faz tempo e beijos bem vindos de primeiras de troca e de último vagão. Tenho uma solidão tão concorrida que posso organizá-la como uma procissão por cores tamanhos e promessas por época por tato e sabor. Sem um tremer de mais me abraço a tuas ausências que assistem e me assistem com meu rosto de ti. Estou cheio de sombras de noites e desejos de risos e de alguma maldição Meus hóspedes concorrem concorrem como sonhos com seus rancores novos sua falta de candura eu lhe ponho uma vassoura atrás da porta porque quero estar só com meu rosto de ti. Porém o rosto de ti olha a outra parte com seus olhos de amor que já não amam como vives que buscam a sua fome olham e olham e apagar a jornada. As paredes se vão fica a noite as nostalgias se vão não fica nada. Já meu rosto de ti fecha os olhos. E é uma solidão tão desolada.
MARIO BENEDETTI
Hay menos tiempo que lugar / no obstante hay lugares que duran un minuto y para cierto tiempo no ha lugar." Benedetti Sigo en pie por latido por costumbre por no abrir la ventana decisiva y mirar de una vez a la insolente muerte esa mansa dueña de la espera sigo en pie por pereza en los adioses cierre y demolición de la memória no es un mérito otros desafían la claridad el caos o la tortura seguir en pie quiere decir coraje o no tener donde caerse muerto
Mario Benedetti (De A Ras de Sueño, 1967)
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