quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Emil Cioran



“Só tem essas convicções aquele que não aprofundou nada”. 
Essa frase de Emil Cioran praticamente resume o seu pensamento Pertencente à grande tradição de despertadores de espíritos, da qual fazem parte Nietzsche, Pascal ,Kierkegaard e Unamuno, o filósofo romeno foi, durante todo o século XX, uma espécie de posto avançado da oposição ao predomínio da técnica e da razão na sociedade moderna. Ferozmente independente, ele não admitiu mestres e, apesar de místico, nunca recorreu aos mestres da teologia para insurgir-se contra a progressiva coisificação do homem:


“Um balbucio de Santa Teresa nos dá mais idéia de Deus do que toda a teologia de Santo Tomás de Aquino”. 

Além de tudo, foi um dos maiores prosadores em língua francesa do século passado, apesar de ter adotado tardiamente o idioma. Em 1949 escreveu seu primeiro livro em francês: Breviário da Decomposição (Editora Rocco). A crítica francesa da época se espantou. Afinal, quem era aquele jovem escritor, vindo de uma cultura periférica que arrogantemente atacava toda a filosofia contemporânea e, por tabela, toda a civilização ocidental? Pois é justamente isso o que Cioran faz nesse Breviário. As mitologias, as doutrinas, as linhas de pensamento, enfim, todas as certezas pedantes são submetidas à prova do fogo cioraniano, atiçado pela ironia e pelo sarcasmo amargo. Fazer com que seus leitores vivessem na dúvida e no assombro de encarar as falácias de quem quer tudo explicar pela razão: eis, em poucas palavras, a sofrida missão de Cioran.

Descobri Emil Cioram por acaso, há poucos dias através de um trecho de seu livro o Breviário da Decomposição e vou compartilhar com vocês

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Como se livrar da tentação?

         Cedendo a ela           Oscar Wilde  Mas desde que ela valia muito a pena, não perca seu tempo com tentação...