sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"Sampoema"

Teu ventre regurgita seres de estranheza orgíaco encanto terra sem marcos acampamento solidário aos lobos da estepe poetas / fodidos/ eruditos de céu in-concreto: campos de pivas orides fontellas panaméricanos agripinos catadores lumpensinato estelar vencer 
Sampa é perde-lhe o medo tua geografia são seus rostos bolívares-norte-coreanos lagos anônimos de gozo e morte a Paulista é praia de ondas com pressa cimento cal fétido / grana espúria : do Jaraguá vejo-te cosmovo : Sampa é ducaralho divino esporro único mundo donde perdi o medo: perder nú ao medo nú era o começo indistinto agora reconheço alamedas / janelas / quartos de estórias insuspeitas em cada cômodo um coito / parto / féretro águas pútridas / córregos em transe / pirajuçaras marginais de rios carontes refletindo desespero de Virgilíos e Dantes : cosmoagonias : Sampa é ducaralho azar mais sorte: a vida não perdoa desatento transeunte tudo-todo-rola-cada- instante; poemizosampa navalhando névoas cinzas nuvens de estanho ilusão paraísos consoloção liberdade jardins oscar freires de infame exclusão marianas ângelas leopoldinas vilas no caminho havia uma praça trecho arremedo de troços e a praça fez-se árvore numa igreja de enforcados insones luzes de horas : cada habitante inapetente é uma paisagem espreitando esconderijos dalguma memória te esperam vãos / vales / veredas / te esperam algum sentido : algum sentido para onde damos em alamedas becos / beneditocalixtos / anhamgabamentos conas / répteis / fósseis / múmias virgens salve Sampa sodomizada / poesia pederasta oralizada: todo-tudo-sempre é Sampa e Sampa é foda: aqui-quase-nada / quase-nada/ nada em orgasmo múltiplos de signos/ significados infindos vejo estranhos que passam: eu Whitman tropicano: garanhões / ninfetas / anjos putos/ proxenetas risco que corro e escorro longa mirada para ser feliz num átimo / fóton de esquina por esquina senhas códigos berros espectros em amuradas Davids Lynchs / Win Wenders / barras códigos estacas: Meu cérebro é onde? : noites de autorama Madrugafas mais darks que a escuridão do nada Interlagos de lágrimas: engulhos esgares vômitos Da metrópole essa meretriz viada que comigo deita Quando esparramo-me de paisagem e realizo delírio Por inteiro : eu sou carona de teus fetiches pesadelos Espasmos oníricos: insights luminares / beatniks 
Transmodernos / aqui Deus é Joyce , Mallarmé é seu profeta : eu moro é na Literatura sampauleira sampaulisto sampinferno sanparteiro de entradas bandeiras volpianas baratas forasteiras trens sobrehumanos traças suburbanas : trago o gole de amargura oswaldiana : a tristeza é a prova dum 69 sou 13/ 11 / oito infinito, infinito onde o som se estreita/ andróides / zumbis / iracemas da Vieira / índios de Moema incorporo metálico estalido dos espigões em meu rabo e meus cornos eriçados de antenas Sampa é zoom!!!! 
Quem não poema não come ! Eu pagão : proclamo! Quem poema não mais engole sapos : poetas todos ! bruxos, bichas, menos os broxas que cantam loas ao parnaso endinheirado profano 
Disposto o peito aberto a camisa em desalinho Sampa me afronta com sua zona e risco Sampa é o Ó entre brejos e bronhas : atmosfera saída dum filme B assassinatos chacinas negras noir ferozes volantes / violência fashion homens mix de mulheres blade runners andróginos : transgêneros líricos merda cercada de gente por todos os poros dos lados dentro estou fora e foda-se o recheio o borbagato me bulina / sinto a maresia baseada no Oceano lisérgico na imagética moldada por camadas de cânhamo: O Mar é longe / vagas de gente empoçam castelos de areia: a multidão é sempre sociedade anônima : cambaleio / resisto por grutas/ grotas/ gretas/ rizomas/ elevadores capengam / shoppings da babilônia: midnights cowboys pela gay caneca não existem pontes entre todas essa gente viver é lançar pontes do vazio refletindo a luz do nada muretas guaritas tiras do ouro bandeirante nada insiste subsiste uma vista onde nunca se encaixa ao mesmo tempo ao todo se situa onde mora o deserto é menos só que na Augusta a chama tupi jazz, jazz, jazz em terracota e taipa em Sampa fiespe-se, fiespe-se ou foda-se! Urbe orbe pulsando fênix de turbinas em chamas Caldeiras / turbilhão : miragem do movimento Sempre estamos onde nem supomos Os vagões levam homens apalpando suas malas Duras penas / diamantes em pencas chaminés de ouro Cravejados de sapopembas e diademas Eu canto por que minha alma não desiste Penso, louco logo resisto! Reconheço todas tribos O gigante polvo capitalista não é nada perto de nosso 
 Espanto e grito Cruel argamassa solitude que nos une Artefatos / bólidos/ hélices / inversão térmica das cores Sampa é asco que não afugenta Náusea que me alucina Sampa não existe : está sendo no ato: Porra loca dum gozo carcomido O mercado come-se : dinheiro é autofáfico Cria é para sempre onde sempre exista Sampa anda em mim por via estreita Poetemos onanistas! 
Abaixo arcadas cerebrais: descontruir discursos é urgente! 
Façamos desse cú doce subversivo argumento.’’ 
 Por Flávio Viegas Amoreira

Um comentário:

  1. Oi Flor!!!!!! E aí como vc tá?
    Se acredita que eu te achei atraves desse poema eu lembrava uns trechos digitei e deu certo. SAUDADE

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