quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SONETO XVIII

Beija mais, beija-me e torna a beijar 
Dá-me um daqueles teus com mais sabor 
Dá-me um daqueles teus com mais amor 
Quentes qual tição quatro te vou dar Cansado estás? 
Desse mal te refaço Dez outros te darei, com que doçura! 
Misturando nossos beijos de ternura 
Gozemos um do outro neste abraço 
Vida a dobrar cada um de nós terá 
Em si cada qual e seu amigo viverá 
Permite Amor perder-me em esta cisma 
Sinto-me mal, vivo para dentro 
E não sei como tirar contentamento 
Se fora não sair de mim mesma. 
 Louise Labé




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