
Pertencia àquela estranha espécie de pessoas que flutuam pelo mundo, sutis, evitando esbarrar em qualquer coisa. Não se sabia se procedia assim por simples delicadeza ou para defender-se. O fato é que era assim. E, portanto, desagradava-lhe aquele jeito de espera gritando alto no corpo inteiro. . . . Era o desejo de não esperar porque ele sabia que não viria, fosse lá o que fosse. Então, amargo, ele preferia cortar de início qualquer possibilidade de concretização da espera porque ele sabia, com a lucidez insone dos que apenas pressentem, a possibilidade jamais se concretizaria.
Caio F. Abreu
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