quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cronosom



Lá vamos nós, agora, ex-anjos decaídos no Tempo estático, correndo ininterruptamente numa esteira eletrônica em forma de caracol labiríntico.
Às voltas com a crise angustiante da simultaneidade inerte. Titã iconoclasta,que nos enreda, num impasse do entretempo sem nexo, entre o que foi a causa e o que será o efeito. 


Em que ponto da consciência reside nossa real idade? Será talvez a partir de algum beat, que deveríamos começar a contar o tempo, caso o contrário corremos o risco de estar fora de seu contexto? Como aquele velho jogando games, ouvindo rock, coçando o saco, em retrospectivas desbotadas de projeções insípidas e estéreis e o retrato de seu ego, ali na parede? Pobres humanos! Cada vez mais devorados por Cronos, o Tempo, e seu pai-e-binômio Urano, o Espaço.


Eis nosso dilema: em que ponto da consciência teremos que chegar, para enfrentar de vez este prato-de-sansara no qual Cronos & Urano se deleitam? Compactuamos com a mídia, essa comunidade global de idéias chapadas, que contínua e capciosamente nos ilude, enquanto fingimos estar sempre na moda com ela. Hoje em dia, elevar a helíaca consciência com seus fatores éticos, é uma tarefa hercúlea. Se o nosso heróico Hércules, com toda aquela musculatura psíquica, ao enfrentar seus doze árduos trabalhos, quase capota, o que se dirá de nós, sucatas de mente humana e ainda, por cima, em final de Era? Para objetos perdidos, que voltam às mãos de seu antigo dono, talvez a meta seja encontrar aquele ritmo energético, um substrato de algo real e concreto, que aciona nossa contagem consciente no tempo, tambor nosso de cada dia. 


Para podermos, quem sabe, juntar nosso tipo humano com seu respectivo arquétipo; quando naquele sublime momento em que o Mito enfim, carrega o Homem e seu sonho, rumo ao infinito! Como na passagem em que o centauro Quíron resolve trocar sua imortalidade pela mortalidade de Prometeu, pelo prazer de construir os dias de seu destino e, por fim, triunfalmente descansar e morrer! Sábio Quíron! Combinamos mentiras com o Tempo e a recíproca, óbvio, passa a ser verdadeira. Principalmente, depois que avançamos mais de meio século. O relógio retrovisor, sem a mínima lógica psicológica, irá omitir milhões de segundos. Contra ou a nosso favor. O que nesta altura, pouco importa. 


Calendários,ampulhetas,marcas alteradas de patentes e cartórios não contam nossa verdadeira história. Excluindo o galáctico e impressionante calendário maia, que segundo alguns, a partir de 2012, sinalizará a marca do fim do mundo e o início do Tempo Zero, todos os outros calendários, como o Gregoriano, em que o Papa, Roma e outros espertos papavam, num rápido amém, o troco da galera; até ao insólito calendário Internet Time, que a fábrica de relógios Swatch quer instituir no planeta, os medidores do Tempo, inicialmente cheios das boas intenções astronômicas, vão se tornando pactos do homem com Deus e o Diabo. 


 Alguns humanos especiais transcendem ainda vivos, realizando proezas admiráveis no controle do corpo e da mente, transformando-se em gurus sem idade. Infelizmente, não estamos incluídos neste caso. Quem sabe seja apenas um simples toque. Na maneira de bater o tambor do tempo, emitindo assim outros ritmos e sinais, que aos poucos imbuem o nosso coração de amor e coragem, eliminando os venenos do medo, da raiva, da preocupação e do egoísmo. Para chegarmos, num salto repentino, à juventude eterna do espírito, na qual a vida e a morte fazem único sentido. E o Tempo ali, não será mais nosso árbitro.

Carlos Walker Astrólogo e Músico
myspace.com/carloswalker
http://blig.ig.com.br/mitografias/

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