sexta-feira, 7 de maio de 2010

Que importa?…



Eu era a desdenhosa, a indiferente, 
Nunca sentira em mim o coração 
Bater em violência de paixão, 
Como bate no peito à outra gente. 
 Agora, olhas-me tu altivamente, 
Sem sombra de desejo ou de emoção, 
Enquanto as asas loiras da ilusão 
Abrem dentro de mim ao sol nascente. 
 Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte; 
Como nascida em carinhoso monte, 
Toda ela é riso e é frescura e graça! 
 Nela refresca a boca um só instante… 
Que importa?… 
Se o cansado viandante 
Bebe em todas as fontes… quando passa?… 
Florbela Espanca


Para ti príncipe nórdico...

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