segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Como se livrar da tentação?

         Cedendo a ela
          Oscar Wilde 

Mas desde que ela valia muito a pena, não perca seu tempo com tentação pouca, eis que logo é bobagem....
Ótima semana garotos (a)

sábado, 2 de setembro de 2023

"O Homem é o lobo do homem"



O homem é o lobo do homem é uma frase tornada célebre pelo filósofo inglês Thomas Hobbes que significa que o homem é o maior inimigo do próprio homem.


Esta afirmação apresenta a transfiguração do homem como um animal selvagem, consiste em uma metáfora que indica que o homem é capaz de grandes atrocidades e barbaridades contra elementos da sua própria espécie.


A frase original é da autoria do dramaturgo romano Platus e faz parte de uma das suas peças. Em latim, esta frase é traduzida como homo homini lupus.


Esta frase ficou mais conhecida por estar incluída na obra intitulada Leviatã, da autoria de Thomas Hobbes que foi publicada em 1651. Neste livro, Thomas Hobbes argumenta que a paz civil e união social só podem ser alcançadas quando é estabelecido um contrato social com um poder centralizado que tem autoridade absoluta para proteger a sociedade, criando paz e uma comunidade civilizada.


É possível concluir que o Homem tem um grande potencial para o bem mas também para o mal, especificamente quando procura apenas os seus próprios interesses, não se importando com o seu próximo. Muitas vezes, essa atitude de lobo é revelada através da frase "os fins justificam os meios".


Saiba mais sobre o significado da frase os fins justificam os meios.


Explicação da frase O homem é o lobo do homem

Segundo Hobbes, em um estado natural, o individualismo do ser humano o compele a viver em guerra uns com os outros. Esta frase expressa o conflito entre os homens, indicando que de todas as ameaças que um ser humano pode enfrentar, a maior delas é o confronto com outras pessoas.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

A derradeira decisão


...ainda estava bastante perdida, mas ontem quando falei de você, quando falei que te amava, quando olhei pra você, ouvi sua voz e te ouvindo lembrei do porque te admiro tanto, magicamente achei um sentido para minha vida as vésperas de completar 45 anos. Simplesmente existirei para você e para tudo que isso envolve e para mais nada que vá na contra mão disso.

Te amo mil milhões e obrigada mais uma vez por todo o bem que me faz...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Friedrich Wilhelm Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900) foi um filólogo e influente filósofo alemão do século XIX
Biografia
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu numa família luterana em 15 de outubro de 1844, filho de Karl Ludwig, seus dois avós eram pastores protestantes; o próprio Nietzsche pensou em seguir a carreira de pastor. Entretanto, Nietzsche rejeita a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filosofia afastam-no da tentação teológica. Iniciou seus estudos no semestre de Inverno de 1864-1865 na Universidade de Bonn em Filosofia Clássica e Teologia evangélica. Em Bonn, participou da Burschenschaft Frankonia, a qual acabou abandonando em razão de atrapalhar seus estudos. Por diferentes motivos transfere-se depois para Universidade de Leipzig, mas isso se deve, acima de tudo, à transferência do Prof. Friedrich Wilhelm Ritschl (figura paterna para Nietzsche) para essa Universidade. Durante os seus estudos na universidade de Leipzig, a leitura de Schopenhauer (O Mundo como Vontade e Representação, 1820) vai constituir as premissas da sua vocação filosófica. Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche é nomeado aos 24 anos professor de Filologia na universidade de Basileia. Adota então a nacionalidade suíça. Desenvolve durante dez anos a sua acuidade filosófica no contacto com o pensamento grego antigo - com predileção para os Pré-socráticos, em especial para Heráclito e Empédocles. Durante os seus anos de ensino, torna-se amigo de Jacob Burckhardt e Richard Wagner. Em 1870, compromete-se como voluntário (exército) na guerra franco-prussiana. A experiência da violência e o sofrimento chocam-no profundamente.


Nietzsche em agosto de 1868
Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar o posto de professor. Sua voz, inaudível, afasta os alunos. Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento (Veneza, Gênova, Turim, Nice, Sils-Maria…): "Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros - o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (… )." Em 1882 ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. No mesmo ano, começa a escrever o Assim Falou Zaratustra, quando de uma estada em Nice. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durando até a sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos recentes se inclinam antes para um cancro no cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica. Após sua morte, sua irmã, Elisabeth Förster-Nietzsche e Peter Gast, dileto amigo do filósofo, segundo um plano de Nietzsche, datado de 17 de março de 1887, efetuaram uma coletânea de fragmentos póstumos para compor a obra conhecida como Vontade de Poder[2]. Essa obra foi, amiúde, acusada de ser uma deturpação nazista; tal afirmação mostrou-se inverídica, frente as comparações com a edição crítica alemã, como denotaram os tradutores da nova tradução para o português[3], e especialmente o filósofo Gilvan Fogel, que afirmou que é preciso que se enfatize: os textos são autênticos. Todos são da cunhagem, da lavra de Nietzsche. Não foram, como já se disse e se insinuou, distorcidos ou adulterados pelos organizadores.[4].
Durante toda a vida sempre tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.
Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).
  Obra


Nietzsche ao lado de sua mãe.
Crítico da cultura ocidental e suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã. Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna, isto porque, primariamente, há certa complexidade na forma de apresentação das figuras e/ou categorias ao leitor ou estudioso, causando confusões devido principalmente aos paradoxos e desconstruções dos conceitos de realidade ou verdade como nós ainda hoje os entendemos.
Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como "as duas religiões da decadência", embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche "é cem vezes mais realista que o cristianismo" (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu:
"Para mim o ateísmo não é nem uma consequência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto" (Ecce Homo, pt.II, af.1)
A crítica que Nietzsche faz do idealismo metafísico focaliza as categorias do idealismo e os valores morais que o condicionam, propondo uma nova abordagem: a genealogia dos valores.
Friedrich Nietzsche quis ser o grande "desmascarador" de todos os preconceitos e ilusões do gênero humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos, por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos. E assim a moral tradicional, e principalmente esboçada por Kant, a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora, cuja visão é difícil de suportar. A moral, seja ela kantiana ou hegeliana, e até a catharsis aristotélica são caminhos mais fáceis de serem trilhados para se subtrair à plena visão autêntica da vida.
Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impele à revolta dos indivíduos inferiores, das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que, por um lado, pelo influxo dessa mesma moral, sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. Essa traição ao "mundo da vida" é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura.
Com efeito, Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras. Mas a questão é: que máscaras são essas? Responde, então, que as máscaras se tornam inevitáveis pela própria vida, que é explosão de forças desordenadas e violentas, e por isso, é sempre incerteza e perigo.
A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência. Vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la.
Não existe via média, segundo Nietzsche, entre aceitação da vida e renúncia. Para salvá-la, é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação, mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante, o seu merismático júbilo.
O homem é um filho do "húmus" e é, portanto, corpo e vontade não somente de sobreviver, mas de vencer. Suas verdadeiras "virtudes" são: o orgulho, a alegria, a saúde, o amor sexual, a inimizade, a veneração, os bons hábitos, a vontade inabalável, a disciplina da intelectualidade superior, a vontade de poder. Mas essas virtudes são privilégios de poucos, e é para esses poucos que a vida é feita. De fato, Nietzsche é contrário a qualquer tipo de igualitarismo e principalmente ao disfarçado legalismo kantiano, que atenta o bom senso através de uma lei inflexível, ou seja, o imperativo categórico: "Proceda em todas as suas ações de modo que a norma de seu proceder possa tornar-se uma lei universal".
Essas críticas se deveram à hostilidade de Nietzsche em face do racionalismo que logo refutou como pura irracionalidade. Para ele, Kant nada mais é do que um fanático da moral, uma tarântula catastrófica.


Friedrich Nietzsche em 1861.
Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas "dançam nos pés do acaso" e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.
Mesmo assim, apesar de todas as diferenças e oposições, deve-se reconhecer uma matriz comum entre Kant e Nietzsche, como que um substrato tácito mas atuante. Essa matriz comum é a alma do romantismo do século XIX com sua ânsia de infinito, com sua revolta contra os limites e condicionamentos do homem. À semelhança de Platão, Nietzsche queria que o governo da humanidade fosse confiado aos filósofos, mas não a filósofos como Platão ou Kant, que ele considerava simples "operários da filosofia".
Na obra nietzschiana, a proclamação de uma nova moral contrapõe-se radicalmente ao anúncio utópico de uma nova humanidade, livre pelo imperativo categórico, como esperançosamente acreditava Kant. Para Nietzsche a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino necessitante. O homem libertado de qualquer vínculo, senhor de si mesmo e dos outros, o homem desprezador de qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer e estar apto para se exprimir a vida, em todos os seus atos - era este não apenas o ideal apontado por Nietzsche para o futuro, mas a realidade que ele mesmo tentava personificar.
Aqui, necessário se faz perceber que, involuntariamente, Nietzsche cria e cai em seu próprio Imperativo Categórico, por certo, imperativo este baseado na completa liberdade do ser e ausência de normas.
Para Kant a razão que se movimenta no seu âmbito, nos seus limites, faz o homem compreender-se a si mesmo e o dispõe para a libertação. Mas, segundo Nietzsche, trata-se de uma libertação escravizada pela razão, que só faz apertar-lhe os grilhões, enclaustrando a vida humana digna e livre.
Em Nietzsche encontra-se uma filosofia antiteorética à procura de um novo filosofar de caráter libertário, superando as formas limitadoras da tradição que só galgou uma "liberdade humana" baseada no ressentimento e na culpa. Portanto toda a teleologia de Kant de nada serve a Nietzsche: a idéia do sujeito racional, condicionado e limitado é rejeitada violentamente em favor de uma visão filosófica muito mais complexa do homem e da moral.
Nietzsche acreditava que a base racional da moral era uma ilusão e por isso, descartou a noção de homem racional, impregnada pela utópica promessa - mais uma máscara que a razão não-autêntica impôs à vida humana. O mundo para Nietzsche não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade. Seu princípio filosófico não era portanto Deus e razão, mas a vida que atua sem objetivo definido, ao acaso, e por isso se está dissolvendo e transformando-se em um constante devir. A única e verdadeira realidade sem máscaras, para Nietzsche, é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante.
Nietzsche era um crítico das "idéias modernas", da vida e da cultura moderna, do neo-nacionalismo alemão. Para ele os ideais modernos como democracia, socialismo, igualitarismo, emancipação feminina não eram senão expressões da decadência do "tipo homem". Por estas razões, é por vezes apontado como um precursor da pós-modernidade.


Nietzsche fotografado por Hans Olde no verão de 1899.
A figura de Nietzsche foi particularmente promovida na Alemanha Nazi, tendo sua irmã, simpatizante do regime hitleriano, fomentado esta associação. Como dizia Heidegger, ele próprio nietzschiano, "na Alemanha se era contra ou a favor de Nietzsche".
Todavia, Nietzsche era explicitamente contra o movimento anti-semita, posteriormente promovido por Adolf Hitler e seus partidários. A este respeito pode-se ler a posição do filósofo:
Antes direi no ouvido dos psicólogos, supondo que desejem algum dia estudar de perto o ressentimento: hoje esta planta floresce do modo mais esplêndido entre os anarquistas e anti-semitas, aliás onde sempre floresceu, na sombra, como a violeta, embora com outro cheiro.[5]
… tampouco me agradam esses novos especuladores em idealismo, os anti-semitas, que hoje reviram os olhos de modo cristão-ariano-homem-de-bem, e, através do abuso exasperante do mais barato meio de agitação, a afetação moral, buscam incitar o gado de chifres que há no povo… [5]
Sem dúvida, a obra de Nietzsche sobreviveu muito além da apropriação feita pelo regime nazista. Ainda hoje é um dos filósofos mais estudados e fecundos. Por vários momentos, inclusive, Nietzsche tentou juntar seus amigos e pensadores para que um fosse professor do outro, uma espécie de confraria. Contudo, esta idéia fracassou, e Nietzsche continuou sozinho seus estudos e desenvolvimento de idéias, ajudado apenas por poucos amigos que liam em voz alta seus textos que, nos momentos de crise profunda, ele não conseguia ler.
Ideias

como o provaria Assim Falou Zaratustra, livro que ainda hoje é de dificílima compreensão estilística e conceitual. Muito pode ser compreendido na obra de Nietzsche como exercício de pesquisa filológica, no qual se unem palavras que não poderiam estar próximas ("Nascer póstumo"; "Deus Morreu", "delicadamente mal-educado", etc… ).
Adorava a França e a Itália, porque acreditava que eram terras de homens com espíritos-livres. Admirava Voltaire, e considerava como último grande alemão Goethe, humanista como Voltaire. Naqueles países passou boa parte de sua vida e ali produziu seus mais memoráveis livros. Detestava a prepotência e o anti-semitismo prussianos, chegando a romper com a irmã e com Richard Wagner, por ver neles a personificação do que combatia - o rigor germânico, o anti-semitismo, o imperativo categórico, o espírito aprisionado, antípoda de seu espírito-livre. Anteviu o seu país em caminhos perigosos, o que de fato se confirmou catorze anos após sua morte, com a primeira grande guerra e a gestação do Nazismo.
  Referências nietzschianas

Contudo, no próprio legado do filósofo podemos inferir suas opiniões em relação a outras filosofias e posições. É sumamente importante notar que Nietzsche perdeu o pai muito cedo, seus primeiros livros publicados até 1878, que não expunham suas idéias mais ácidas, ainda assim fizeram pouco ou nenhum sucesso. Que ele ficou extremamente desapontado com o sucesso de Richard Wagner, o qual se aproximou do cristianismo. Teve uma vida errante, com poucos amigos, e sempre perseguido por surtos de doença.
Na sua obra vemos críticas bastante negativas a Kant, Wagner, Sócrates, Platão, Aristóteles, Xenofonte, Martinho Lutero, à metafísica, ao utilitarismo, anti-semitismo, socialismo, anarquismo, fatalismo, teologia, cristianismo, budismo, à concepção de Deus, ao pessimismo, estoicismo, ao iluminismo e à democracia.


Dentre os poucos elogios deferidos por Nietzsche, coletamos citações, muitas vezes com ressalvas a Schopenhauer, Spinoza, Dostoiévski, Shakespeare, Dante, Napoleão, Goethe, Darwin, Leibniz, Pascal, Edgar Allan Poe, Lord Byron, Musset, Leopardi, Kleist, Gogol, Voltaire e ao próprio Wagner, grande amigo e confidente de Nietzsche até certo momento.
Ele era, sem dúvida, muito apreciador da Natureza, dos pré-socráticos e das culturas helénicas.
Niilismo


Nietzsche em 1869
O legado da obra de Nietzsche foi e continua sendo ainda hoje de difícil e contraditória compreensão. Assim, há os que, ainda hoje, associam suas idéias ao niilismo, defendendo que para Nietzsche:
"A moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade, só são úteis ou inúteis consoante a situação"; "A verdade não tem importância; verdades indubitáveis, objectivas e eternas não são reconhecíveis. A verdade é sempre subjectiva"; "Deus está morto: não existe qualquer instância superior, eterna. O Homem depende apenas de si mesmo"; "O eterno retorno do mesmo: A história não é finalista, não há progresso nem objectivo".
Outros, entretanto, não pensam que Nietzsche seja um autor do niilismo, mas ao contrário um crítico do niilismo. Pois, para ele o homem pode ser, além de um destruidor, um criador de valores. E os valores a serem destruídos, como os cristãos (na sua obra, faz menção à doença, à ignorância), um dia seriam substituídos pela saúde, a inteligência, entre outros. Tal afirmação se baseia na obra Assim falou Zaratustra, onde se faz clara a vinda do super-homem, sendo criar a finalidade do ser. Tal correspondência é totalmente contrária ao niilismo, pelo menos em princípio. Ou um "niilismo positivo", para Heidegger. Todavia, Nietzsche, contrário ou não, não deixando escapar de suas críticas nem mesmo seu mestre Schopenhauer nem seu grande amigo Wagner, procurou denunciar todas as formas de renúncia da existência e da vontade. É esta a concepção fundamental de sua obra Zaratustra, "a eterna, suprema afirmação e confirmação da vida". O eterno retorno significa o trágico-dionisíaco dizer sim à vida, em sua plenitude e globalidade. É a afirmação incondicional da existência.
Talvez a falta de consenso na apreciação da obra de Nietzsche tenha em parte a ver com os paradoxos no pensamento do próprio autor. As suas últimas obras, sobretudo o seu autobiográfico Ecce Homo (1888), foram escritas em meio à sua crise que se aprofundava. Em Janeiro de 1889, Nietzsche sofreu em Turim um colapso nervoso. Como causa foi-lhe diagnosticada uma possível sífilis. Este diagnóstico permanece também controverso. Mas certo é que Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã.
  Escritos


O arquivo de Nietzsche em Weimar, Alemanha, que guarda muitos de seus manuscritos.
Obras de Friedrich Nietzsche, na ordem em que foram compostas:
O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872); reeditado em 1886 com o título O Nascimento da Tragédia, ou Helenismo e Pessimismo (Die Geburt der Tragödie, Oder: Griechentum und Pessimismus) e com um prefácio autocrítico. — Contra a concepção dos séculos XVIII e XIX, que tomavam a cultura grega como epítome da simplicidade, da calma e da serena racionalidade, Nietzsche, então influenciado pelo romantismo, interpreta a cultura clássica grega como um embate de impulsos contrários: o dionisíaco, ligado à exacerbação dos sentidos, à embriaguez extática e mística e à supremacia amoral dos instintos, cuja figura é Dionísio, deus do vinho, da dança e da música, e o apolíneo, face ligada à perfeição, à medida das formas e das ações, à palavra e ao pensamento humanos (logos), representada pelo deus Apolo. Segundo Nietzsche, a vitalidade da cultura e do homem grego, atestadas pelo surgimento da tragédia, deveu-se ao desenvolvimento de ambas as forças, e o adoecimento da mesma sobreveio ao advento do homem racional, cuja marca é a figura de Sócrates, que pôs fim à afirmação do homem trágico e desencaminhou a cultura ocidental, que acabou vítima do cristianismo durante séculos.

A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (Philosophie im tragischen Zeitalter der Griechen - provavelmente os textos que o compõem remontam a 1873 - publicado postumamente). Trata-se de um livro deixado incompleto, mas que se sabe ter sido intenção de Nietzsche publicar. Trata-se, no fundo, de um escrito ainda filológico mas já de matriz filosófica disfarçada por uma pretensa intenção histórica. Considera os casos gregos de Tales, Anaximandro, Heráclito, Parménides e Anaxágoras sob uma perspectiva inovadora e interpretativa, relevadora da filosofia que é de Nietzsche.
Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral[6] (Über Wahrheit und Lüge im außermoralischen Sinn, 1873 - publicado postumamente; edição brasileira, 2008). — Ensaio no qual afirma que aquilo que consideramos verdade é mera "armadura de metáforas, metonímias e antropomorfismos". Apesar de póstumo é considerado por estudiosos como elemento-chave de seu pensamento.
Considerações Extemporâneas ou Considerações Intempestivas (Unzeitgemässe Betrachtungen, 1873 a 1876). — Série de quatro artigos (dos treze planejados) que criticam a cultura européia e alemã da época de um ponto de vista antimoderno, e anti-histórico, de crítica à modernidade.
David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauss, der Bekenner und der Schriftsteller, 1873) no qual, ao atacar a idéia proposta por David Friedrich Strauss de uma "nova fé" baseada no desvendamento científico do mundo, afirma que o princípio da vida é mais importante que o do conhecimento, que a busca de conhecimento (posteriormente discutida no conceito de "vontade de verdade") deve servir aos interesses da vida;
Dos Usos e Desvantagens da História Para a Vida (Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben, 1874);
Schopenhauer como Educador (Schopenhauer als Erzieher, 1874);
Richard Wagner em Bayreuth (Richard Wagner in Bayreuth, 1876).
Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, Ein Buch für freie Geister, versão final publicada em 1886); primeira parte originalmente publicada em 1878, complementada com Opiniões e Máximas (Vermischte Meinungen und Sprüche, 1879) e com O Andarilho e sua Sombra ou O Viajante e sua Sombra (Der Wanderer und sein Schatten, 1880). — Primeiro de estilo aforismático do autor.
Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881). — A compreensão hedonística das razões da ação humana e da moral são aqui substituídas, pela primeira vez, pela idéia de poder, sensação de poder, início das reflexões sobre a vontade de poder, que só seriam explicitadas em Assim Falou Zaratustra.
A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata (Die fröhliche Wissenschaft, 1882). — No terceiro capítulo deste livro é lançada o famoso diagnóstico nietzschiano: "Deus está morto. Deus continua morto. E fomos nós que o matamos", proferido pelo Homem Louco em meio aos mercadores ímpios (§125). No penúltimo parágrafo surge a idéia de eterno retorno. E no último, aparece Zaratustra, o criador da moral corporificada do Bem e do Mal que, como personagem na obra posterior, finalmente superará sua própria criação e anunciará o advento de um novo homem, um além-do-homem.
Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also Sprach Zarathustra, Ein Buch für Alle und Keinen, 1883-85).
Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse. Vorspiel einer Philosophie der Zukunft, 1886). Neste livro denso são expostos os conceitos de vontade de poder, a natureza da realidade considerada de dentro dela mesma, sem apelar a ilusórias instâncias transcendentes, perspectivismo e outras noções importantes do pensador. Critica demolidoramente as filosofias metafísicas em todas as suas formas, e fala da criação de valores como prerrogativa nobre que deve ser posta em prática por uma nova espécie de filósofos.
Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, Eine Streitschrift, 1887). Complementar ao anterior — como que sua parte prática, aplicada — este livro desvenda o surgimento e o real significado de nossos corriqueiros juízos de valor.
O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo (Götzen-Dämmerung, oder Wie man mit dem Hammer philosophiert, agosto-setembro 1888). Obra onde dilacera as crenças, os ídolos (ideais ou autores do cânone filosófico), e analisa toda a gênese da culpa no ser humano.
O Caso Wagner, um Problema para Músicos (Der Fall Wagner, Ein Musikanten-Problem, maio-agosto 1888).
O Anticristo - Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist. Fluch auf das Christentum, setembro 1888) - Apesar de apontar Cristo, mesmo em sua concepção "própria", como sintoma de uma decadência análoga à que possibilitou o surgimento do Budismo, nesta obra Nietzsche dirige suas críticas mais agudas a Paulo de Tarso, o codificador do cristianismo e fundador da Igreja. Acusa-o de deturpar o ensinamento de seu mestre — pregador da salvação no agora deste mundo, realizada nele mesmo e não em promessas de um Além — forjando o mundo de Deus como a cima e além deste mundo. "O único cristão morreu na cruz", como diz no livro que seria o início de uma obra maior a que deu sucessivamente os títulos de Vontade de Poder e Transmutação de Todos os Valores: uma grande composição sinótica da qual restam apenas meras peças (O Anticristo, O Crepúsculo dos Ídolos e o Nietzsche contra Wagner) não menos brilhantes que a restante obra.
Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, Wie man wird, was man ist, outubro-novembro 1888) — Uma autobi(bli)ografia, onde Nietzsche, ciente de sua importância e acometido por delírios de grandeza, acha necessário, antes de expor ao mundo a sua obra definitiva (jamais concluída), dizer quem ele é, por que escreve o que escreve e por que "é um destino". Comenta as suas obras então publicadas. Oferece uma consideração sobre o significado de Zaratustra. E por fim, dizendo saber o que o espera, anuncia o apocalipse: "Conheço minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo — de uma crise como jamais houve sobre a Terra, da mais profunda colisão de consciências, de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado, santificado, requerido. (… ) Tenho um medo pavoroso de que um dia me declarem santo: perceberão que público este livro antes, ele deve evitar que se cometam abusos comigo. (… ) Pois quando a verdade sair em luta contra a mentira de milênios, teremos comoções, um espasmo de terremoto, um deslocamento de montes e vales como jamais foi sonhado. A noção de política estará então completamente dissolvida em uma guerra de espíritos, todas as formações de poder da velha sociedade terão explodido pelos ares — todas se baseiam inteiramente na mentira: haverá guerras como ainda não houve sobre a Terra." [7]
Nietzsche contra Wagner (Nietzsche contra Wagner, Aktenstücke eines Psychologen, dezembro 1888).

  Manuscritos publicados postumamente

Escreveu ainda uma recolha de poemas, publicados postumamente, com o nome de Ditirambos de Dioniso.
Nietzsche deixou muitos cadernos manuscritos, além de correspondências. O volume desses textos é maior do que o dos publicados. Os de 1870 desenvolvem muitos temas de seus livros publicados, em especial uma teoria do conhecimento. Os de 1880 que, após seu colapso nervoso, foram selecionados pela sua irmã, que os publicou com o título "A vontade de poder", desenvolvem considerações mais ontológicas a respeito das doutrinas de vontade de poder e de eterno retorno e sua capacidade de interpretar a realidade. Entre essas especulações e sob os esforços de intérpretes de sua obra, os manuscritos de 1880 estabelecem repetidamente que "não há fatos, somente interpretações".
Contudo, está disponível a obra Fragmentos Finais, que é baseada na reestruturação feita aos seus manuscritos no Arquivo.VER
No Brasil, alguns trechos desses fragmentos póstumos podem ser encontrados no livro Nietzsche da coleção Os Pensadores, publicada pela editora Abril Cultural.
Comentários de terceiros sobre Nietzsche
Gilles Deleuze

Em Nietzsche e a Filosofia, Gilles Deleuze expõe sua interpretação sobre o Eterno Retorno como movimento seletivo, em que somente o que fosse positivo e ativo retornaria, e o que fosse negativo na existência seria negado pelo Eterno Retorno (esta interpretação vem hoje sendo cada vez mais contestada) e denuncia o emprego da Filosofia de Nietzsche por correntes de pensamento as mais díspares, em uma tentativa de apropriação do pensamento nietzscheano como instrumentalização de ideologias. Deleuze diz que "Nietzsche sempre retira sua aposta do jogo que não é seu".
  Raymond Aron

Em O ópio dos intelectuais, Raymond Aron escreve: "Nietzsche e Bernanos, este último um crente, enquanto que o primeiro proclamando a morte de Deus, são autenticamente não-conformistas. Ambos, um em nome de um futuro pressentido, o outro invocando uma imagem idealizada do Ancien Régime, dizem não à democracia, ao socialismo, ao regime das massas. Eles são hostis ou indiferentes à elevação do nível de vida, à generalização da pequena burguesia, ao progresso da técnica. Eles têm horror da vulgaridade, da baixeza, difundida pela práticas eleitorais e parlamentares".
  Bertrand Russell

Bertrand Russell escreve em "A History of Western Philosophy": "Apesar de Nietzsche criticar os românticos, a sua atitude é fortemente determinada por eles; é o ponto de vista do anarquismo aristocrático que Byron também representara, de modo que não é surpreendente que Nietzsche seja um grande admirador de Byron. Ele tenta unir duas categorias de valores que dificilmente se relacionam: por um lado ele ama a crueldade, a guerra e o orgulho aristocrático e, por outro, a filosofia, a literatura, arte e antes de tudo a música".
  Martin Heidegger

No entender de Heidegger a noção de Vontade de potência e o pensamento do Eterno Retorno do Mesmo formam uma totalidade indissolúvel e não uma incoerência. Pensar a fundo o Eterno Retorno é ir de encontro até ao extremo nihilismo, segundo Nietzsche, única via para superá-lo. Pensar a fundo o nihilismo de Nietzsche para Heidegger é pensar a fundo a ausência de fundamento da verdade do Ser. Em Heidegger eis aí que só pode fundar a essência humana em Nietzsche, visto que este constitui para o filósofo da Floresta Negra "uma tomada de decisão no que tange o pensamento nietzscheano". A obra de Heidegger sobre Nietzsche compreende duas etapas. A primeira delas constitui uma exegese dos escritos de Nietzsche em Nietzsche I e Nietzsche II é a expressão da filosofia que toma forma a medida que interrelaciona os interesses dos dois.
Heidegger adverte que, embora seja uma obra recorrente devido ao seu caráter didático, os textos não acompanham a sequência das preleções de Marlburg de 1931 a 1936 e de Marlburg de 1940 a 1946, onde teve início o nascimento da obra, e o pensamento que já o acompanhava desde antes de seu doutorado tomou forma.
Referências
↑ Ainda que tanto leigos quanto alguns críticos o classifiquem como um "filósofo alemão" (The Stanford Encyclopedia of Philosophy; Source: Nietzsche: A Very Short Introduction (See Preview on Amazon); Britannica; The Cambridge Companion to Nietzsche, page 1), outros não lhe categorizam como um nacionalista (exemplos: Edward Craid (editor): The Shorter Routledge Encyclopedia of philosophy. Abingdon: Routledge, 2005, pages 726-741; Simon Blackburn: The Oxford Dictionary of Philosophy. Oxford: Oxford University Press, 2005, pages 252-253; The Concise encyclopedia of western philosophy. 3rd edition ed. London: Jonathan Rée and J. O. Urmson, 2005. 267–270 p.). Nietzsche, na verdade, nasceu antes que o estado nacional da Alemanha viesse a existir e, de qualquer maneira, quando ele aceitou seu posto de professor em Basel, pediu a anulação de sua cidadania prussiana. (Er beantragte also bei der preussischen Behörde seine Expatrierung [Translation:] "Dessa forma, ele pediu às autoridades prussianas que fosse expatriado". Curt Paul Janz: Friedrich Nietzsche: Biographie volume 1. Munich: Carl Hanser, 1978, page 263), o que o tornou oficialmente um indivíduo sem nacionalidade definida; a resposta oficial confirmando a sua expatriação veio em um documento datado de 17 de abril de 1869. Texto em alemão em Entlassungsurkunde für den Professor Friedrich Wilhelm Nietzsche aus Naumburg in Giorgio Colli and Mazzino Montinari: Nietzsche Briefwechsel: Kritische Gesamtausgabe. Part I, Volume 4. Berlin: Walter de Gruyter, 1993. ISBN 3 11 012277 4, page 566.
↑ FOGEL, Gilvan. Apresentação. in: NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Poder. RJ: Editora Contraponto, 2008. p.9
↑ FERNANDES, Marcos Sinésio Pereira e MORAES, Francisco José Dias.Sobre a tradução. in: NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Poder. RJ: Editora Contraponto, 2008. p.15-20
↑ FOGEL, Gilvan. Apresentação. in: NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de Poder. RJ: Editora Contraponto, 2008. p.10
↑ a b Genealogia da Moral
↑ http://books.google.com.br/books?id=JK2WxX8vjGgC&dq=isbn:857715... Google Books] (em inglês)
↑ Porque Sou um Destino §1, tradução de Paulo César Souza.
Friedrich Wilhelm Nietzsche

Nietzsche em 1882
Nascimento 15 de Outubro de 1844
Röcken, Alemanha
Morte 25 de agosto de 1900 (55 anos)
Weimar, Alemanha
Nacionalidade Alemã
Ocupação Filósofo, filólogo
Influências
Influências
Influenciados
Influenciados
Magnum opus Assim falou Zaratustra
Escola/tradição Filosofia Contemporânea, Filosofia continental, Romantismo
Principais interesses Epistemologia, Ética, Ontologia, Filosofia da história, Psicologia
Ideias notáveis Morte de Deus, Vontade de Poder, Eterno retorno, Super-Homem, Perspectivismo, Apolíneo e Dionisíaco
  Referência bibliográfica
Nietzsche, Frederich. Obras Incompletas, 1ª. edição. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

domingo, 30 de outubro de 2022

Filosofia Tântrica

 Muito se fala sobre o tantra. Aposto que você já ouviu que ele é uma nova forma de sentir, que te traz prazeres jamais sentidos, que ele traz uma intimidade maior para o casal, entre outras coisas. Isso tudo é verdade! Mas, você sabia que muito antes de ser massagem ou sexo tântrico, o Tantra já existia como uma filosofia?  Na verdade, ainda hoje, ele é considerado como um estilo de vida para muitos adeptos. 

Que tal vir comigo e entender mais sobre esse estilo de vida? 

A história da filosofia Tântrica.

O tantra surgiu há mais de 5 mil anos na região do vale do Rio Indo, onde está localizado hoje o Paquistão. Ele nasceu na procura de uma meditação profunda pela sociedade Drávidas, que vivia na época nesta região. 

Se formos separar as sílabas da palavra Tantra, nós temos:

Tan: significa expansão

Tra: significa libertação

E, quando paramos para pensar, a filosofia tantra engloba, entre muitas outras coisas, expansão e libertação. 

Voltando aos Drávidas, eles acreditavam que o bem e o mau, o certo e o errado, entre outras polaridades da vida, eram necessários para que tudo houvesse equilíbrio. E daí surgiu uma cultura de não julgamento dentro do Tantra. Não tem certo, errado, feio, bonito, ruim ou bom. 

O surgimento do sexo tântrico. Foi na busca desse estado meditativo profundo que o sexo tântrico surgiu. Quando estavam fazendo os seus rituais, perceberam que a sensação mais próxima dessa meditação profunda que eles tanto buscavam era a sensação orgástica. 

Assim, os Drávidas começaram a utilizar a energia sexual para conseguir entrar em contato com o seu eu mais profundo durante as meditações. 

Ao longo do tempo, foram utilizando técnicas para aumentar esse estado orgástico, tornando-o cada vez mais duradouro, com a finalidade de continuarem em contato com esse “eu” mais profundo.

É importante frisar que, durante todo esse tempo, não havia nenhuma intenção sexual com o orgasmo. Ele era utilizado apenas para alcançar a expansão física, mental e espiritual que era buscado.  Pensando nesse contexto, o sexo tântrico não surgiu apenas para poder melhorar a relação ou fazer com que os casais tenham mais tempo com a sensação orgástica. Ele, na verdade, é a conexão mais profunda com o seu eu interior. 

Nos dias de hoje, pensamos que o Tantra surgiu exatamente com as finalidades sexuais. Mas, como já contamos acima, ele é, na verdade, um estilo de vida. Você vive a filosofia Tantra, entende seus valores e, por consequência, o sexo tântrico está englobado dentro dessa maneira de pensar.

5 motivos para incorporar a filosofia Tântrica na sua rotina 

Agora que você já conhece melhor sobre a história dessa filosofia, que tal entender o porque ela deve estar presente na sua vida?

Melhora a ansiedade

A ansiedade é a doença do século. Aposto que você já ouviu essa frase.

E isso é uma verdade cada vez mais notável. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mal atinge 33% da população e o Brasil é o país mais ansioso em todo o mundo.

Com o Tantra, você aprende a viver o momento. A sentir o que está sentindo agora, a entender e perceber tudo o que se passa ao seu redor. 

Pensando nisso, você consegue afastar o fantasma da ansiedade, do medo daquilo que pode acontecer, das incertezas. 

Que tal apostar nas técnicas tântricas para poder viver tudo aquilo que você merece? Sem ter o obstáculo da ansiedade atrapalhando todos os seus caminhos?

Ajuda a sair da zona de conforto

Assim como já mencionado, a busca do Tantra sempre foi pelo aumento da consciência e do sentir. 

Hoje, você sabe qual é o seu potencial máximo quando o assunto é sentir? A maioria das pessoas ainda não sabe.  Quando você trabalha esse auto desafio em qualquer parte da sua vida, todas as outras também começam a ser desafiadas. Você entende que tem um potencial enorme e começa a querer buscar sempre mais desafios. E o resultado de maiores desafios sempre são maiores conquistas, novos horizontes se abrindo e novas possibilidades surgindo também.

Equilibra todas as áreas da vida No Tantra, trabalhamos o alinhamento dos sete chakras principais com o objetivo de acessar e despertar a Kundalini.

Kundalini é a energia mais poderosa dentro do corpo humano. 

Portanto, quando todos os chakras estão alinhados e acontece a ascensão dessa energia vital, o resultado é a experimentação de uma vida equilibrada, leve, fluida e muito mais prazerosa.

Promove o autoconhecimento 

O Tantra é uma prática que estimula o toque, os sentidos e as conexões.  Saber os pontos de prazer do seu corpo, o que você sente quando é estimulado em um ponto, as sensações que isso causa, é uma poderosa forma de autoconhecimento.  Além disso, outra área estimulada pelo tantra é a comunicação. 

Falar o que está sentindo, o que gosta, o que não gosta, como está se sentindo diante de alguma situação, ajuda a melhorar qualquer relação, inclusive a interpessoal. 

Ajuda a superar problemas sexuais

Seja a ejaculação precoce para os homens ou a falta de libido para as mulheres: com o tantra você pode resolver os seus problemas sexuais.

Isso acontece porque o tantra é uma maneira de sentir, como um todo. O corpo é visto como um único elemento e qualquer ponto pode ser um potencial orgástico. 

Que tal aprender sobre massagem tântrica? Ela poderá te ajudar a ter uma rotina mais leve, mais disposição durante o dia, entre muitos outros benefícios.

Dan Agra Terapeuta Tântrico

“A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia.”

— Beethoven

"A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim.”

"Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa adaptabilidade em sobreviver a tudo de ruim.” 


 —  Buda

“Aquele a quem o amor toca não anda na escuridão."

  Platão

Desbloqueio pelo toque: os benefícios da massagem tântrica Deixe os tabus e as desinformações para trás: ela nada mais é do que um método para aceitar e abraçar a verdade de nossos corpos


“Se tudo é sagrado e as criações são divinas, por que o sexo e o prazer não seriam?”

Lua Menezes, especialista em sexualidade 



São todos apenas um, embora separados em corpos diferentes.


 

Estou cercada de amores e por eles me sinto ora plena, ora perseguida. Do meu medo de ficar só os cultivei desde meus tempos de criança, contando para cada um deles a história de todos. São todos apenas um, embora separados em corpos diferentes. Amo-os todos e nenhum, e nesse não amar quase que profano é quando mais amo com maior pureza, como neste exato instante que me encontro só, mas não estou sozinha, porque da soma de todos os meus amores, sou, somos infinito...

Sayuri Suto Terapeuta Tântrica Salvador

domingo, 31 de julho de 2022

O Psicopata do coração - Do Santo ao Profano

     "Provavelmente em uma noite dessas em1993 a essa mesma hora em sua bela casa em um bairro nobre da Zona Norte, ela com a mesma idade que tenho hoje, estivesse sentindo a mesma sensação que sinto agora. Será que de alguma forma ela também se sentia culpada, será que ele também a tinha feito achar que aquilo era justificável? Acredito que não, com certeza ela achava que a culpa era da puta, talvez nossa maior diferença esteja aí, eu não vejo essas mulheres como putas e sim futuras vítimas de um psicopata..."

Rascunhos do meu futuro Best-seller Do Santo ao Profano

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Se o amor tiver um cheiro, eu senti hoje...

Senti o cheiro de libertar um sentimento por amor, de liberar, de entregar nas mãos do Universo e agradecer o que foi vivido. O quintal todo ficou tomado pelo aroma doce da liberdade, o cheiro do nosso último encontro, dos corpos, da magia... Viva e deixe viver... 

sábado, 2 de julho de 2022

As maiores curiosidades sobre o Gin



Descubra as principais informações sobre essa bebida tão especial
Descobrir um novo tipo de bebida é algo inovador para quem faz parte do time de apreciadores do álcool. Contudo, muitas vezes acabamos nos prendendo mais em encontrar as melhores combinações e a história daquele produto.
Em uma bebida que cai no gosto do público, é comum que alguns fatos e curiosidades se percam. Afinal, a atenção de todos fica diretamente ligada ao sabor que o drink pode oferecer. Objetos e itens que foram criados há séculos com toda certeza têm um mar de curiosidades para serem apresentados.
Imagine só o gin, por exemplo: quantas histórias não devem existir que envolvam essa bebida maravilhosa? Desde uma mesa de bar rodeado por amigos até os soldados holandeses, séculos no passado, que adoravam consumi-lo. Pois é, pode parecer loucura, mas é verdade!
Sabemos que, em muitos casos, pode ser difícil encontrar essas informações. Pensando nisso, resolvemos trazer as maiores curiosidades sobre o gin para quem se interessa. Veja só:

1) Consumo na guerra

Durante a guerra dos 30 anos (que começou em 1618 e durou até 1648), um médico conhecido como La Boie produzia um remédio que ficou muito conhecido entre os soldados. Na época, todos o chamavam de “coragem holandesa”. Ninguém entendia muito o que continha dentro dessa medicação, apenas sabiam que depois que tomavam o líquido, os soldados se sentiam mais fortes e corajosos para enfrentar as batalhas no inverno europeu.
Depois de muito tempo, os soldados vieram a descobrir que aquele remédio, na verdade, era uma bebida alcoólica. O seu nome conhecido pelo mundo inteiro era gin.

2) Gin era mais barato que cerveja

Na Inglaterra, essa bebida foi vendida em grande quantidade e começou a circular com um preço muito acessível, mais barato até mesmo que a famosa e querida cerveja. A explicação para isso foi que, durante o mesmo período, iniciou-se a construção do processo de destilar bebidas no alambique. Os responsáveis por esse desenvolvimento foram Aenas Coffey e Robert Stein.
Ainda não entendeu muito bem?! Calma, a gente explica. Isso quer dizer que, com o aprendizado a destilar bebidas de uma forma rápida e fácil, o gin começou a ser produzido em alta quantidade. Como era de costume no mercado da época, tudo que se tinha muito, o preço baixava.

3) Ingredientes similares a perfume

Outra coisa super legal na lista de curiosidades sobre o gin são seus ingredientes. A revista GQ realizou uma entrevista com um mestre em destilados, o Darren Rook. Nessa conversa, o especialista contou alguns fatos interessantes sobre o Gin.
A grande sacada é que, como muitos outros destilados, a essência da bebida tem muito em comum com um perfume. Isso porque os ingredientes são os mesmos. No gin, são usadas raízes de lírio, alcaçuz e angélica. No perfume, também.

Gin Tonica do Must Bar (Hotel Moffarej) harmonizado com meu queridinho Dona Flor

É claro que cada marca possui uma composição específica para sua bebida. O que é necessário compreender é essa similaridade. As raízes são pouco percebidas nos destilados, mas são elas que trazem propriedade agregadora para a indústria do perfume, de acordo com ele.

4) Importância do gelo na bebida

Nos dias de hoje, é difícil encontrar uma pessoa que consuma o gin e não faça misturas com outras coisas. Existe uma infinidade de possibilidades de drinks que podem ser feitos. Durante essa mistura, um dos ingredientes mais importantes é o gelo. Contudo, surpreendentemente, é um dos mais esquecidos também.
A grande maioria das pessoas acredita que se o destilado já estiver frio, por ter passado um tempo na geladeira ou algo do tipo, ele não precisa do gelo no coquetel. Estão completamente errados, já que o gelo tem um objetivo super importante no sabor.
Alguns especialistas até arriscam dizer que cada bebida deve ter um formato de gelo específico. Dentre essas formas, existem cinco essenciais: bolsa de gelo, gelo rachado, gelo em bloco, gelo caseiro e bola de gelo.
A justificativa para isso é que cada forma de gelo derrete na bebida de um jeito, fazendo com que a água gelada entre em contato de diferentes maneiras com o sabor final. Parece até loucura, né?!

5) Bebida da rainha

Mais uma das curiosidades sobre gin é que a nossa grande Rainha Elizabeth II já admitiu e confidenciou em entrevistas que a bebida que têm seu coração é o gin.
A monarca de 93 anos diz que as outras bebidas alcoólicas são muito boas também, mas que esse destilado é seu preferido. Já que dizem que o gin não engorda, será que também não envelhece?

6) Premiações do Gin

Apesar de não ser do conhecimento de muitos, o gin é uma bebida premiada. Suas diferentes composições e sabores já fizeram com que a bebida ganhasse as mais diversas premiações. Os principais prêmios para essas distinções são:

  • Michelangelo International Wine & Spirits Awards
  • American Distilling Institute (ADI)
  • World Gin Awards
  • Gin Guild
  • Bursary Gin Foundry
Todas essas distinções possuem diferentes categorias que reconhecem as principais marcas produtoras de Gin por suas criações. Até por isso existem vários Gins Premiums que você precisa conhecer.

7) Boom devastador

Após a peste negra, na Europa, houve uma grande epidemia de alcoolismo. Em 1730 existiam mais de 7 mil comércios que vendiam gin. As pessoas estavam muito tristes pela devastação da doença e decidiram embarcar nessa bebida que possui um teor alcoólico de 80% a 90%.
Isso ficou tão marcado na história que até obras de artes foram feitas para que a epidemia não acontecesse novamente. Um ótimo exemplo é a gravura “Beco do Gin”, de William Hogarth, que é super conhecida até hoje.
É super importante ressaltar que o exagero leva a consequência que nunca são boas. Afinal, tudo em excesso faz mal, não é mesmo? Essas obras foram feitas com a intenção de propor essa reflexão quanto ao acontecido da época.
Quem diria poderiam existir tantas curiosidades sobre o gin, não é mesmo? É tão interessante que dá até vontade de preparar um coquetel agora. Aproveite e veja também o botânico certo para preparar um drink com gin!

Sobre minha paixão pelo vinho e algumas informações

 Você saberia me dizer quais as diferenças entre sommelier, enólogo e enófilo?

Eu sou enófila e você?



Se o universo dos vinhos é complexo para aqueles que já estão por dentro do assunto, para os iniciantes ele pode parecer ainda mais complicado. Existem muitos termos técnicos, nomes específicos e outras expressões que são utilizadas com frequência, cujos significados nos escapam, num primeiro momento. Você saberia dizer, por exemplo, quais as diferenças entre sommelier, enólogo e enófilo?


Essas três palavras são extremamente comuns em textos e em rodas de conversa sobre vinhos, pois se referem a pessoas ligadas a essa nobre bebida. Mesmo assim, é mais do que comum que os significados dessas palavras sejam confundidos, mas nós estamos aqui para esclarecer as diferenças.


Começando pelas palavras mais parecidas, ainda que a grafia seja semelhante, os enólogos e os enófilos são figuras bem diferentes no mundo dos vinhos. O radical “eno”, vem do latim e compõe as palavras relacionadas a vinhos. Analisando os sufixos, percebe-se a diferença entre o enólogo e o enófilo.


O enólogo

A terminação (sufixo) "logo” tem origem no grego “logos”, que serve para indicar aquele que estuda, que tem conhecimento científico em algo. Sendo assim, o enólogo é um estudioso, um cientista dos vinhos.


Ele é uma pessoa associada à ciência da bebida, mais especificamente ligado às técnicas de produção. Ou seja, ele é um especialista que se inseriu em uma das etapas da produção do vinho ou em todas elas.


Dica: Você sabe o que faz um enólogo?


O enófilo

O sufixo “filo” também tem sua raiz na língua grega e se refere àquele que quer algo ou que é amigo de algo. Sendo assim, o enófilo é aquela pessoa que gosta muito de vinhos e que pode até ter um conhecimento avançado sobre rótulos, história, sabores e outras curiosidades, mas que nunca se inseriu na produção, nem no comércio da bebida. Para o enófilo, o vinho é um entretenimento.


Agora que você já conhece a diferença entre enólogo e enófilo, continue a leitura e saiba o que é um sommelier.


O sommelier

Palavra de origem francesa, "sommelier" passou a ter o significado que conhecemos nos dias de hoje a partir do século XIX. Antigamente, os sommeliers eram transportadores de animais de carga, depois passaram a provadores de vinhos da realeza e hoje se tornaram especialistas em bebidas de um restaurante.


Atualmente, esse profissional é o responsável pela escolha e pela compra dos vinhos, cervejas artesanais, sakes e outras bebidas, além de receber e armazenar adequadamente as garrafas. Ele também elabora as cartas de vinho, dá sugestões aos clientes, e inclusive, recomenda harmonizações.


Dependendo do restaurante, o próprio sommelier é quem abre a garrafa, indica as taças mais adequadas e serve as bebidas na temperatura ideal.


O escanção

Não estranhe se você ouvir um português chamando pelo escanção de um restaurante. Em Portugal, essa é a maneira de se referir ao sommelier dos restaurantes.


O sommelier, o enólogo e enófilo são algumas das pessoas importantes do universo dos vinhos. Agora você sabe que, apesar das diferenças, essas três figuras têm um ponto em comum: a paixão pelo vinho!

Como se livrar da tentação?

         Cedendo a ela           Oscar Wilde  Mas desde que ela valia muito a pena, não perca seu tempo com tentação...